Pode a mulher cristã usar calças? - Uma reflexão sobre moda e modéstia

segunda-feira, maio 05, 2014

Afinal, a mulher cristã pode usar calça ou não?

Oi, gurias. Essa pergunta tem aparecido muito: a possibilidade da mulher cristã usar calças.

A mulher cristã pode usar calça? Para responder a essa pergunta, precisamos ir à raiz do problema.

Hoje vou tratar desse tema bem polêmico no mundo da moda e modéstia, das vestimentas recatadas e adequadas para quem quer viver sempre de acordo com a vontade de Deus. Peço atenção aos detalhes das palavras que utilizo e aos argumentos considerados em bloco, pois uns dependem dos outros, e só assim poderemos concluir se a mulher cristã pode usar calça (ou não pode). É um texto longo, e vou utilizá-lo no livro que estou preparando sobre a elegância da mulher cristã, que está quase pronto.

O fato é que muitos apostolados e grupos hoje tacham como pecaminoso a mulher cristã usar calça. Será que têm razão?

Pode a mulher cristã usar calças?

A origem da palavra “moda” é a mesma do verbete “modéstia”, como nos ensina um Papa de veneranda memória. “Moda e modéstia deveriam caminhar juntas como duas irmãs, porque ambos os vocábulos tem a mesma etimologia; do latim ‘modus’, quer dizer, a reta medida, além e aquém da qual não se pode encontrar o justo.” (Pio XII) Nesse sentido, a moda será, no mais das vezes, neutra, apresentando-se pecaminosa quando configurar ocasião de pecado para si ou para o outro – levando ao pecado contra a castidade, por pensamentos e olhares, por exemplo, o que veremos, na prática, no decorrer do livro.

Essa ocasião de pecado, então, é algo circunstancial. No período do romantismo, um simples tornozelo era excitante – lembram da “Pata da Gazela”? Assim, os que acusam de imodesta uma saia que seja um dedo abaixo ou acima do joelho, ou uma blusa que não cubra o braço, deixando, pois, de fora, o mesmo tornozelo, seriam acusados, por sua vez, de promover uma moda imodesta para os românticos. Ou seja, os primeiros acusadores, ainda que insistam em uma aplicação absoluta das regras de modéstia, também são circunstanciais. Os românticos olhariam a moda dos que defendem que a saia pode mostrar os tornozelos, mas não os joelhos, como igualmente imodesta. A diferença é apenas o período histórico de que tiram as circunstâncias. Aqueles que pensam que uma saia mostrando o joelho é imodesta estão, na verdade, é sendo circunstanciais, mas olhando para a década de 50, o que é algo que já demonstra certa ideologia em seu pensamento, ao pensar que houve uma “época de ouro”, coincidindo com o pós-guerra. Curiosamente, exaltam essa época como se fosse irretocável até mesmo na observância da liturgia. Querem transportar todo o quadro histórico, que julgam perfeito, em uma nostalgia ideológica. Óbvio que os anos 50 tiveram seus valores, e pessoalmente gosto muito da inspiração que nos chega de seus vestidos, de seus comportamentos, da visão de família ainda tradicional, mas nesta terra de exílio jamais haverá “época de ouro”, e, pois, temos que viver o tempo a fomos destinados por Deus, aplicando a modéstia absoluta às circunstâncias relativas.

O próprio Pio XII, citado acima, defensor da modéstia e do pudor, não insiste jamais na proibição de calças para mulheres, nem dá regras milimétricas. Ele não nega que a mulher cristã pode usar calça. O Papa fala nos princípios, pois sabe que as situações, os ambientes, a cultura, etc, mudam.



Insuspeita é a fala de um sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada por D. Marcel Lefebvre, a respeito dos usos nos vestuário das mulheres por eles atendidas: “A tendência no vestir que se tornou, aos poucos, dominante entre nós refletem a modéstia – que é necessária – mas a modéstia não está limitada às modas Tradicionais. Ao querer impor essas regras de vestimentas, nós desanimamos as pessoas mais do que as atraímos. A conseqüência é um tipo de libertação excessiva destas regras, que as leva à imodéstia. Uma outra conseqüência é um tipo de representação esclerosada da Tradição, que parece viver nos anos 50 – não muito atraente!” (Pe. Guillaume Gaud, FSSPX)

O Doutor Angélico é claro ao dizer que, embora a moral seja atemporal e absoluta, a condição dos vestidos exteriores será ou não modesta segundo a cultura própria, dado que “o ornato exterior deve corresponder à condição da pessoa segundo o costume comum.” (S. Th., II-II, q. 169, a. 2)

E São Francisco de Sales, o grande incentivador do apostolado e da vida de piedade dos leigos, diretor de muitas almas, e incansável conquistador de calvinistas na Genebra da qual foi Bispo, ensinava: “[N]o tocante à matéria e à forma dos vestidos, a decência só se pode determinar com relação às circunstâncias do tempo, da época, dos estados ou vocações, da sociedade em que se vive e das ocasiões.” (Filoteia, III, cap. XXV)

Na visão da Igreja, a moral deve ser pensada por princípios, não por regras de pode e não pode, pois isso é próprio do puritanismo, de matriz gnóstica. Assim que, a cada circunstância, os princípios devem ser invocados, não um recurso a uma lista. E, com base nesses princípios, em coisas contingentes, pode-se ter conclusão distinta. E por isso, não se tem um guia infalível e absoluto dizendo que a mulher cristã pode usar calça ou não. Isso simplesmente não é um assunto tão grave a ponto de provocar o Magistério.

Não há uma regra “isso é modesto”, “aquilo é imodesto”. Evidentemente, que há situações que saltam aos olhos quanto ao erro, por afastarem a virtude do pudor. A maioria dos “tomara-que-caia”, a “minissaia”, e certos maiôs, por exemplo, são absolutamente incompatíveis com a modéstia cristã. Outras roupas são imodestas dependendo da situação.

Não deixemos, outrossim, de valorar o componente cultural e de aceitação social. Não deve ser determinante - uma sociedade em que seja “normal” andar pelado, nem por isso deixará de ferir o pudor. Porém, são fatores a considerar, sim. Mas se a nudez pode ferir claramente a moral, isso não nos leva a dizer que, por conta da modéstia, há uma resposta negativa à questão: a mulher cristã pode usar calça?

Combatamos pelo pudor, pela modéstia, pela moralidade. Sem nos atermos a um mundo ideal dos anos 50.

Calças apertadas, “socadas”, por exemplo, são igualmente um atentado ao pudor. Isso não quer dizer que todas as calças femininas tenham que ser como as de palhaço de circo. Claro que as partes pudicas e as nádegas não devem ser mostradas com calças apertadas, e uma roupa por cima dessas partes resolve o problema. Dizer que a mulher cristã pode usar calça não significa que ela pode usar qualquer calça.

Não quero me aproximar de um certo tipo de “comunismo das vestimentas”, onde todas as mulheres acabariam tendo não só uma regra para se vestir, como quem sabe para falar, andar, agir e tudo mais.

Pode a mulher cristã usar calças?


Como um sacerdote amigo nosso respondeu ao Rafael, meu esposo, em uma conversa que tiveram dias atrás:

“Seria tudo mais fácil se tivéssemos tabelas sobre ‘o que se pode ou não usar’, mas, como sabemos, a moral católica não funciona assim.

Funcionamos com princípios. E, o princípio que poderíamos partir para tentar achar alguma luz para este caso é a própria definição da virtude da modéstia. Santo Tomás a define como ‘virtude que governa nossas ações, gestos e atitudes de modo que, no possível, não demos aos demais - nem a nós mesmos - ocasião de apetências sexuais desordenadas.’”

Percebem que caminho tendencioso estaremos seguindo? Onde estará o respeito as individualidades de cada um? Há o cinza, amigas. E onde a Igreja não legisla, cabe a nós discernirmos o que é correto, bem como o que cabe para cada ocasião.

Na S. Th., I-II, q. 7, Santo Tomás trata de esclarecer que as circunstâncias dos atos humanos são também fundamentos da moral. A moralidade é absoluta, mas a aplicação de seus princípios leva em conta aspectos circunstanciais. Isso se aplica, como visto, às roupas.

Aliás, Santo Agostinho, na Carta 54, diz não poder condenar quem comunga todos os dias e quem se abstém disso e, depois, dá uma longa explicação de como os costumes mudam de lugar para lugar. Continua que, exceto por uma ordem explícita do Papa, não há razão para violar as liberdades dos diferentes povos. Se é costume generalizado, e aceito pela maioria dos bons cristãos, honrados, que buscam a santidade, que comungam com os ensinamentos da Igreja, que a mulher use calça, então esse uso é permitido. Não se trata de democracia para escolher o que é certo ou errado, mas saber que as roupas dependem dos costumes e, associando o que diz Santo Tomás e Santo Agostinho, ele é fonte da moralidade. Os costumes atuais dos cristãos e suas intenções e sensibilidades são elementos que podem mudar a apreciação moral.

Essa relativização da moda e sua interpretação da virtude do pudor no vestir de acordo com os costumes gerais, pode ter seu exemplo na comparação entre a iconografia – que é um locus theologici – que representa Cristo com os cabelos compridos e a advertência bíblica, da lavra de São Paulo Apóstolo, de que os homens não o deveriam portar. Não é uma contradição entre o Mestre e o discípulo, mas a constatação de que diferentes costumes no trajar geram "regras" diferentes. São Paulo falava a um público no qual os cabelos compridos masculinos soariam imodestos. É um indício claro de que há, nesse terreno, coisas absolutas e relativas. Também o Concílio de Jerusalém proibindo carne sufocada para os pagãos - ou S. Paulo proibindo de comer carne a alguns, enquanto permitia a outros -, podem ajudar a iluminar essas situações onde as circunstâncias jogam papel relevante no juízo moral.

Pode a mulher cristã usar calças?


Quanto a Igreja diz “mulheres devem usar roupas de mulher”, ela não está definindo qual é a roupa de mulher. O que vai definir é a cultura, o ambiente, o caimento da roupa, o tipo de corte, o biótipo da mulher em específico. Isso não é relativismo. Relativismo seria relativizar a expressão “mulheres devem usar roupas de mulher”, pois isso, como uma verdade, é necessariamente absoluta e objetiva. Já o conceito de roupa de mulher não é uma verdade, e é variável. O modernismo, vejam, foi condenado por ser a variabilidade do conceito de cada dogma, mas isso não impede que outras coisas possam variar. Verdades não variam, não se adaptam, mas o conceito de roupa de mulher não é uma verdade. Temos, claro, que sempre usar roupa de mulher, mas o conceito disso pode mudar. Se eu usasse uma calça jeans com corte masculino ou um terno com gravata, igual ao meu marido, algo estaria errado, mas não uma calça ou um terninho com corte feminino: e reconhecemos bem um quando o encontramos, não?

“Esta é uma das questões particulares [a roupa] nas quais o problema do pudor ou do impudor aparece com mais frequência. Seria difícil discutir agora as nuanças da moda feminina ou masculina enquanto se relacionam com o problema mencionado, o problema do pudor e do impudor certamente se relaciona com a questão da moda, ainda que talvez não da maneira que em geral se supõe... Além disso é inevitável que a roupa destaque o valor do sexo, mas não há razão para que contradiga o pudor. Não há nada de impudico no vestir a não ser aquilo que, ao destacar o sexo, contribui claramente para diminuir o valor essencial da pessoa, provoca inevitavelmente uma reação a respeito da pessoa como se ela fosse só um ‘objeto possível de uso’, por causa do seu sexo, e impede a reação a respeito da pessoa enquanto 'um possível objeto de amor', por causa do seu valor como pessoa.” (João Paulo II. Amor e Responsabilidade)

A absolutização das vestes, como se mulheres sempre devessem usar saias e vestidos, lhes sendo vetadas as calças, ignora as diferenças regionais e temporais. Nem sempre a mulher - e mulher cristã, mulher modesta, mulher de bons costumes - vestiu a mesma coisa. A modéstia não muda. A aplicação de suas regras às roupas muda, e muda porque mudam as roupas, mudam os costumes, mudam os cortes, mudam até os corpos. Dogmatizar a indumentária tem raízes não só no gnosticismo, mas em um etnocentrismo. A Carta a Diogneto, um dos primeiros documentos do cristianismo, dizia que os cristãos não se distinguiam dos pagãos por suas roupas.



As túnicas femininas do tempo de Cristo, aliás, mesmo as usadas por judias piedosas e pelas primeiras cristãs, deixavam à mostra o braço inteiro e o pescoço. Não se encaixariam em algumas “regras” que algumas radicais da modéstia pregam.

Aliás, essas mesmas “regras” das radicais falam, por exemplo, em não se usar vestidos no joelho, e sim um ou dois dedos abaixo dele. Só que essa mesma regra seria considerada imodesta no séc. XIX: apenas vestidos nos tornozelos eram permitidos. Ou seja, as radicais da modéstia atuais, tão ávidas a condenar as cristãs que prezam a modéstia mas usam calças e saias um pouco acima dos joelhos, estariam condenadas pela aplicação anterior da mesma modéstia.

O fato é que as radicais, ao misturar a modéstia absoluta com a aplicação relativa da mesma (relativa porque se relaciona com o tempo, com o ambiente, com o corpo, enfim, com os costumes, que, como vimos, é fonte da moralidade do comportamento humano), prendem-se ao que os anos 50 consideravam modesto. Isso parece ter origem na idolatria dessa "época de ouro" dos americanos, no pós-guerra. Os Estados Unidos formam o caldo de cultura ideal para o pensamento sectário: puritanismo do modo de pensar - dado que foi fundado por calvinistas puritanos - e glorificação do pós-guerra. Somemos esses dois aspectos e temos as listas de "pode e não pode", oriundas de setores brasileiros que beberam em algumas fontes católicas mais tradicionais norte-americanas.

Quanto a comparar nossas roupas às que a Santíssima Virgem usaria, teríamos que ter certo cuidado. Primeiro porque ela era casada, mas consagrada, e como tal deve-se diferenciar das demais mulheres, segundo que, basta olharmos as mulheres que eram santas e que se trajavam de forma comum à sua época. E o que nunca faltou à Nossa Amada Mãe foi bom senso e capacidade de se adaptar à realidade que se encontrava, sem nunca perder a caridade e a noção do correto. Depois, é interessante que coloquemos bem claro, em nossa meditação, que temos que imitar, nos santos, a sua virtude, mas não cada comportamento exatamente igual. Do contrário, estaríamos deixando de imitar Nossa Senhora se tivermos relações com nossos maridos, por exemplo.

C.S. Lewis, o autor das “Crônicas de Nárnia”, que era anglicano, mas não se converteu apenas porque morreu antes, escreveu e não posso deixar de considerar suas palavras, ele que era amigo de Tolkien, e tinha uma grande admiração pelo Papa, uma profunda devoção ao Santíssimo Sacramento, às formas rituais católicas e à Santíssima Virgem, e mesmo raciocinava de um modo bastante tomista:

“Consideremos agora a moralidade cristã no que diz respeito à questão do sexo, ou seja, o que os cristãos chamam de virtude da castidade. Não se deve confundir a regra cristã da castidade com a regra social da “modéstia”, no sentido de pudor ou decência. A regra social do pudor estipula quais partes do corpo podem ser mostradas e quais assuntos podem ser abordados, e de que forma, de acordo com os costumes de determinado círculo social. Logo, enquanto a regra da castidade é a mesma para todos os cristãos em todas as épocas, a regra do pudor muda. Um moça das ilhas do Pacífico, praticamente nua, e uma dama vitoriana completamente coberta, podem ambas ser igualmente “modestas”, pudicas e descentes de acordo com o padrão da sociedade em que vivem. Ambas, pelo que suas roupas nos dizem, podem ser igualmente castas (ou igualmente devassas). Parte do vocabulário que uma mulher casta usava nos tempos de Shakespeare só seria usado no século XIX por uma mulher completamente desinibida.”

mulher cristã pode usar calça


Os profetas, os doutores da Igreja, os Padres, e todos os santos sempre aconselharam os fiéis a se vestirem com pudor e modéstia. O modo como nos vestimos é um reflexo de nossa vida íntima. O exterior reflete o exterior, diz o adágio. O modo como nos vestimos, nossa aparência, o tipo de vestuário que utilizamos, são como mensagens que enviamos aos outros, dando informações preciosas a nosso respeito: nossas intenções, nossas particularidades, nossas crenças mais profundas, nosso estilo de vida. O recato no vestir é, pois, uma mensagem poderosa que mandamos a todos: somos sérios, consideramos importante a castidade, queremos agradar a Deus, e consideramos que o corpo não deve ficar tão exposto. Não deixa, pois, o jeito de nos vestirmos, de ser um verdadeiro apostolado silencioso, influenciando a todos, e mostrando princípios importantíssimos que informam o ser humano. E se esse recato vai acompanhado da beleza das vestes e da elegância, isso é mais benéfico ainda, pois estamos deixando bem claro que se pode ser modesto, ter pudor, sem parecer uma “Maria-mijona”, pode-se ter recado e amor pela castidade exterior, sem que tenhamos um aspecto “apagado”.

Evidentemente, não há um código católico de vestimenta. E isso nem seria possível, pois a Igreja trabalha com princípios, não com listas de “pode” e “não pode”. As circunstâncias nos fazem aplicar os princípios do pudor aos casos concretos. Claro que não há aqui qualquer relativismo: a moral é absoluta, o pudor é objetivo. Mas a aplicação desse pudor varia conforme a cultura, o tipo de evento, a combinação entre as roupas, o corpo da mulher que o veste, e até mesmo, a “postura” e o temperamento da pessoa.

Igualmente evidente, todavia, que algumas roupas são, em geral, imodestas. Shorts muito curtos, minissaias, decotes profundos, blusas que não cobrem a barriga, calças justíssimas sem a devida cobertura, transparências indevidas, não são adequadas à mulher recatada. Não há um código, repetimos, nem uma lista. Mas a aplicação dos princípios à realidade concreta nos diz isso. É uma conclusão inevitável: certas roupas podem ser pudicas ou não conforme as circunstâncias, porém outras na maioria das vezes (ou na totalidade) são imodestas. O melhor critério para esse discernimento é a formação da consciência e a diária pergunta, diante do espelho: “Será que agrado a Deus com essa roupa?”

Esse tema das vestes se divide em quatro pontos, basicamente: 1) a virtude da modéstia, que é na verdade, em sua origem, o justo conceito de si (i.e., não chamar excessivamente a atenção para si mesmo); 2) a virtude do pudor (não mostrar mais do que se deve, o que depende das circunstâncias, que são variáveis por definição, mantendo coerência do exterior com o interior); 3) a ocasião de pecado (que influencia o ponto anterior e por ele é influenciado, mas ontologicamente dele se distingue); 4) diferenciação dos sexos nas roupas.

O que fazem muitos que pregam uma modéstia mais estrita, não diferenciando as circunstâncias e, na prática, apresentando listas fechadas do que pode e do que não pode, com forte cheio de gnose, e demonizando certas peças, e estabelecendo centímetros e milímetros de licitude, é misturar os três primeiros pontos, e eventualmente colocar o quarto.

A dificuldade, imposta pela modernidade, de pensar por princípios, que devem ser aplicados ao caso concreto, faz com que alguns se tornem obcecados com um padrão. Para combater a imoralidade, que é filha da modernidade, apelam para um modo de pensar que é também moderno, de matriz kantiana, com imperativos categóricos, "pacotes fechados". O modo tradicional do pensar católico, que foi sempre o da Igreja, e é baseado na própria razão, na natureza, é o de usar princípios e aplicá-los à realidade concreta. Mas somos tão sufocados pela modernidade que esse jeito que seria natural de raciocinar se torna pesado, difícil, dá trabalho. A solução culturalmente puritana de adotar um esquema de equações protestantes é bem mais fácil, porque imediata e dispensa a profundidade de análise: se x, então y. Típico da modernidade, algo absolutamente contrário ao modo católico de enfrentar os problemas.

Pode a mulher cristã usar calças?

Como diz um amigo, Juliano Cizotti, estão como que hipostatizando a modéstia, o pudor, numa configuração fechada e inviolável, absoluta e independente. Acham que Pio XII os está corroborando quando afirma que a modéstia é imutável. Ora, todas as virtudes o são, mas, paa ficar no exemplo do mesmo Juliano, evitar atirar nos inimigos quando se está em guerra não é coragem, o que seria se fosse em outra ocasião, em outras circunstâncias, como quando o inimigo está desarmado e pode ser rendido sem isso. É quase o mesmo fetiche que alguns possuem com a literalidade absoluta da Quo Primum.1

Enfim, é bom perceber que nem toda roupa imodesta é esteticamente feia, e nem toda roupa modesta é sempre bela e elegante. É possível, assim, ser imodesta e brega, imodesta mas esteticamente bonita e na moda, bem como modesta e brega, e modesta com elegância. No conflito entre a modéstia e a imodéstia, deve aquela sempre prevalecer, ainda que a custas de parecer brega, embora o ideal seja a busca de conjugar a modéstia com o vestir contemporâneo: noutros termos, ser recatada mas na moda, preservar o pudor porém mantendo a elegância.

Alguns, a pretexto de lutar contra a extrema sensualidade de boa parte da moda atual, que não valoriza a mulher, mas só seu corpo, acabam por defender um outro extremo: não apenas usam uma puritana fita milimétrica em todas as saias e vestidos, como proíbem, terminantemente, o uso de calças por parte de mulheres católicas.

Acusam a calça de duas coisas: ser masculina e ser imodesta. Enfrentemos os dois pontos.

Belos exemplos de calças jeans e sociais modestas em sites de lojas especializadas em promover o pudor! Claro que se pode achar em outros locais também. Não é preciso ter um “nicho católico”. Isso seria mentalidade sectária. Apenas falo como exemplo: se lojas que são apostolado de modéstia vendem...

A própria revista americana ELIZA (uma espécie de ELLE ou COSMOPOLITAN, só que em versão modesta e defensora do pudor, com uma visão católica de mundo) dá vários exemplos de roupas pudicas, entre as quais as calças femininas.

Muitas outros modelos de calças poderiam ser citados, até mesmo algumas mais justas. Não estou falando de justíssimas, “socadas”, mostrando “tudo”, mas um pouco menos folgadas, e mesclada a calça com uma blusa maior, ou sobre-legging, ou mesmo sem nada se for não tão apertada assim. Quando digo que a mulher cristã pode usar calça, não se fala de qualquer calça, em qualquer ocasião e de qualquer jeito.

A questão não seria o tipo de calça e o modo (cobrindo, dependendo da calça, com algo as partes mais salientes, como o bumbum, por exemplo) como a usamos, bem como o ambiente e a aceitação cultural? Em nossa cultura ocidental atual, mulher usa, além de saias e vestidos, calças, e calças diferentes das usadas pelos homens. O corte a modelagem nos dão a diferença. O uso correto, feminino e modesto de uma calça jeans implica em que não sejam os cortes demasiadamente justos nas coxas e nádegas, cobrindo certas partes, ou dando destaque para outras. Se a mulher cristã pode usar calça, isso indica também que deve ter sabedoria para saber como fazer isso sem ferir a modéstia.

Mulheres sabidamente reconhecidas não só por sua elegância como pela feminilidade usam calças. A princesa Letizia da Espanha, a duquesa Kate Middleton, a rainha Rania da Jordânia, Olivia Palermo, Lauren Conrad, Audrey Hepburn, Natalie Portman, Constanza Pascolato... Nem sempre suas fotos podem ser modestas de calças (mas poderiam não ser modestas mesmo de saia). Todavia, femininas são.


mulher cristã pode usar calça

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Não se invoque que calça é roupa de homem. Isso é cultural. Saia é roupa de homem na Escócia, já foi roupa de homem nos exércitos romano e grego.

Os inimigos das calças em uso pelas mulheres, invocam a Bíblia, a pregação do Pe. Pio e cartas do Cardeal Siri. Como poderia a mulher cristã usar calças com tantos textos e comportamentos de santos que as condenaram?

Ora, se é verdade que a mulher deve usar roupa de mulher e que o uso de roupa masculina por parte dela é pecado, segundo a Bíblia e o Magistério, não é menos que o critério que determina o que é roupa de mulher se encontra na cultura. Noutros termos: sim, mulher usa roupa de mulher e homem roupa de homem, mas o conceito de "roupa de mulher" e "roupa de homem" varia conforme a época, a cultura, o país, etc. A palavra do Cardeal Siri não fica invalidada, já que seu ensino é perene, mas determinar se calça ou saia é um vestuário feminino escapa ao poder da Igreja, não é matéria de definição magisterial (nem poderia ser). O Cardeal e a Bíblia não condenam a mulher cristã usar calças, e sim a roupa masculina em uma mulher, e a roupa feminina ou masculina varia no tempo e no espaço. É possível, então, a mulher cristã usar calças.

As mesmas que costumam demonizar o uso de calças por mulheres citam um livro do Pe. Bernard Kunkel, fundador da Cruzada de Maria Imaculada pela Pureza. Na internet é possível encontrar um excerto da obra original com o nome de “Guia Mariano de Modéstia”, e ele parece dizer, na ótica dos acusadores de pecado, que não é lícito moralmente à mulher cristã usar calças. Nas pp. 18-19 do referido guia, há duas partes que gostaria de destacar:

“É ERRADO PARA UMA MULHER USAR ROUPAS DO TIPO MASCULINO, TAIS COMO ROUPAS COLANTES OU BERMUDAS?

Usar roupas adequadas ao sexo oposto é errado, pois é sugestivo, ainda mesmo quando as roupas são modestas. Apesar de que o costume não possa tornar modesta uma vestimenta imodesta, o costume pode e define o tipo de vestimenta própria para cada sexo. Assim, no tempo de Cristo homens usavam vestimentas que hoje seriam consideradas próprias para mulheres.

(...)

A CRUZADA MARIANA, ENTÃO, APROVA VESTIMENTAS DO ESTILO ‘CALÇA FEMININA’ COM COMPRIMENTO E TAMANHO ADEQUADOS?

‘Uma mulher não se vestirá com roupa masculina: nem um homem usará roupa feminina. Pois aquele que faz estas coisas é abominável perante Deus’ (Deut. 22:5).

O propósito desta Lei do Antigo Testamento nunca mudará, porque a promiscuidade indevida dos sexos sempre será uma fonte de pecados contra a castidade.

Portanto, na ausência de aprovação da Igreja, nós não podemos aprovar calças femininas como vestimenta, até que se prove que calças já não sejam mais uma vestimenta distintiva de homens.”

Leiam com atenção. O Pe. Kunkel, que é geralmente citado para condenar a peça no guarda-roupa feminino, abre a possibilidade da mulher cristã usar calças, dado que hoje ela não é mais uma vestimenta distintiva de homens, sendo de uso geral por ambos os sexos, com os cortes e tecidos característicos para cada um. O próprio texto, aliás, estabelece a distinção entre moral absoluta e aplicação relativa, bem como separa a questão das calças em dois pontos: modéstia/imodéstia e distinção de sexos.

Nesse último aspecto, a pergunta anterior deixa claro que os costumes mudam - o que corrobora o que venho dizendo - e na questão seguinte tal distinção é explicitada, mas não julga que atualmente as coisas tenham mudado. Ora, como disse antes, há um uso indiscriminado da peça hoje por parte de homens e mulheres, e também resta bastante evidente a não-percepção social de calças como exclusivamente masculinas (portanto, excluindo seu caráter sugestivo de pecado). Por último, a própria distinção existente entre modelos para homens e para mulheres derruba a tese de que seriam as calças exclusivamente masculinas. No tocante à modéstia, claro, a regra de ser modesto é absoluta, e isso tenho sempre dito: não advogo a licitude de qualquer calça, mas da peça, em si mesma, como neutra, podendo ser modesta ou imodesta a depender do tipo de corpo, tecido, corte, das outras vestimentas que compõem o conjunto etc. A calça feminina que digo ser lícita é, então, uma calça realmente feminina, por um lado, e, por outro, que não fira o pudor.



Para que não fique nenhuma dúvida quanto à licitude da mulher cristã usar calças, transcrevo o seguinte texto do grande teólogo Dom Estêvão Bettencourt, OSB, em sua respeitadíssima “Pergunte e Responderemos”:

“Revista: PERGUNTE E RESPONDEREMOS
D. Estevão Bettencourt, osb.
Nº 257 – Ano 1981 – Pág. 271

Em síntese: Um estudo detido e objetivo de Dt 22, 5 mostra que o preceito de Moisés não tem em mira simplesmente o uso de calças compridas por parte de mulheres, mas, sim, os abusos que este tipo de traje ocasionava nos cultos pagãos; favorecia o deboche e outros vícios inspirados pela mentalidade de povos pré-cristãos. Por conseguinte, não se pode condenar a moda feminina das calças compridas em nome da Escritura Sagrada. Tal tipo de indumentária tornou-se algo de natural e geralmente aceito, sem chamar a atenção do público, a não ser que as próprias calças, por sua índole “colante”, sejam feitas para provocar os instintos sexuais.

Comentário: O uso de calças compridas por pessoas do sexo feminino tem sido impugnado em nome de um texto do Deuteronômio, freqüentemente aduzido sem procura exata do respectivo significado. Eis por que passamos a examinar tal secção e o problema citado.

De 22,5: “A mulher não trajará vestes masculinas, e o homem não usará vestes femininas. Quem assim proceder, será abominável ao Senhor teu Deus”.

1. Este texto há de ser entendido como qualquer outra passagem bíblica, dentro do respectivo contexto histórico. Sabe-se que a Bíblia oferece a Palavra de Deus “encarnada” dentro da linguagem e da cultura dos homens que Deus quis assumir como hagiógrafos.

Ora, ao procurar reconstituir o quadro histórico e cultural do versículo acima, os comentadores unanimemente afirmam que

1) o texto não tem em mira condenar o uso, como tal, de calças compridas por parte das mulheres, como se esse uso, por si mesmo, fosse provocação ao pecado;

2) nem tem em vista defender diretamente as diferenças naturais existentes entre o sexo masculino e o feminino, mas

3) foi redigido em vista de certas práticas usuais nos cultos pagãos da Síria e de Canaã, práticas que davam ocasião a ações grosseiras e imorais.

Vejamos de mais perto este último tópico.

2. É notório o fato de que entre os gentios se praticava a prostituição sagrada. Chamava-se hierodula (servidora do santuário) a pessoa, às vezes de sexo masculino, mais freqüentemente de sexo feminino, que se prestava à prostituição sagrada nos templos; tanto o homossexualismo quanto o heterossexualismo podiam então ser cultivados; em conseqüência, não era rara a figura do (a) travesti(e). – A prostituição sagrada existia nos santuários egípcios e mesopotâmicos de Isis e Istar; principalmente, porém, nos templos de Astarté em Canaã (= Palestina). Sob a influência dos cananeus (cf. Nm 25,1-18), o mal penetrou também no culto israelita. Compreende-se que, neste contexto histórico e geográfico, a Lei de Moisés proibisse tal abuso e excluísse das ofertas feitas no templo do Senhor o salário de uma prostituta, que era também chamado “salário de cão” (cf. Dt 23,17s).

Na época de Jeroboão (931-910) o abuso aumentou notavelmente (cf. 1Rs 14,24), mas Asá (911-870) e Josafá (870-848) expulsaram as hierodulas da terra de Israel (cf. 1Rs 15,12; 22,47). De novo as hierodulas apareceram em Israel sob Manassés (687-642) e Amon (642-640); todavia Josias (640-601) mandou demolir as suas habitações (cf. 2Rs 23,7).

Ainda a respeito do uso de vestes ou insígnias masculinas por parte de mulheres, note-se o seguinte: Segundo Macróbio (séc. V d.C.), em Saturnalia 1. III, VIII, havia em Chipre uma estátua de Vênus, barbatum corpore, sed veste muliebri, cum sceptro ac statura virili (dotada de barba, de cetro e de estatura viril, mas vestida como masculina e feminina, e à qual ofereciam sacrifícios homens vestidos como mulheres e mulheres vestidas como homens. Ver também Servus (+ fim do séc. IV), In Aencidam II 632; Apuleio (+ 185 d.C.), Metamorphoses VIII 24 s.

Por conseguinte, não pode restar dúvida a respeito do caráter circunstancial e delimitado (geográfica e historicamente) da proibição de Dt 22,5.

3. Passando ao plano da Teologia Moral propriamente dita, pode-se ainda observar quanto segue:

Uma veste deverá ser tida como imoral se provocadora ou excitante de concupiscência: assim toda roupa que deixe descobertas ou faça transparecer ou ponha em evidência partes sexuais ou erógenas do corpo humano, torna-se, via de regra, excitante. Por isto deve ser banida como imodesta e imoral. Verifica-se, porém, que o uso de calças compridas hoje em dia por parte das mulheres não costuma excitar nem seduzir para o mal. Tornou-se algo de natural e geralmente aceito, sem chamar a atenção do público (a não ser que as próprias calças, por sua índole “colante”, sejam feitas para provocar os instintos sexuais). Eis por que não se vê razão para condenar o uso de calças compridas por pessoas do sexo feminino em nossos dias, de mais a mais que tal traje é muitas vezes mais decente do que certos vestidos ou saias.

A propósito:

PIROT-CLAMER, La Sainte Bible. Tome II. Paris 1946.”

Não se tente opor D. Estêvão ao Cardeal Siri. Eles não discordam. O ilustre Purpurado não condena, em si mesmo, a calça feminina, mas a roupa masculina usada por mulher. Ora, em sua época, o uso das calças era, ao menos em sua região, um costume quase que exclusivamente masculino e as próprias calças femininas que apareciam tinham um corte masculino. Se naquele sociedade, a peça era uma roupa exclusivamente masculina, o fato de a mulher cristã usar calças importava em violação do mandamento da modéstia e do preceito bíblico.



Tal, entretanto, não se pode dizer dos dias de hoje, em que o uso de calças pelas mulheres é amplamente disseminado no Ocidente, possuindo as calças cortes bem femininos. Um homem, se é homem mesmo, não usaria uma calça feminina sem ser estranhado. Nota-se bem a distinção entre uma calça feminina e uma masculina, o que, por si, refuta qualquer eventual argumento de “mal da moda unissex”. Não há uso unissex: as calças são diferentes, claramente diferentes.

Algumas invocam o exemplo de São Pio de Pietrelcina, que não atendia em confissão mulheres que usavam calças. Ocorre que na época e local em que o santo capuchinho vivia as calças femininas comportavam algo de revolucionário, de feminista. Como disse, a aplicação das regras de modéstia pode variar conforme as circunstâncias. Se estas mudam, aquela também muda. O uso de calças por mulheres hoje não é símbolo revolucionário, se disseminando amplamente no Ocidente. Não se trata mais de contestação ou de uso de calças para ser iguais aos homens, mas de uma veste adotada de modo quase universal.

Também não se diga que a maioria não constrói a verdade. Claro que não, e nem por todo mundo achar bonito e normal usar minissaia isso se tornaria decoroso. Sem embargo, há modas escandalosas por conta das circunstâncias e modas escandalosas, diríamos, por si só. Um bom padrão razoável para medir o que é aceitável é o pensamento geral dos pais de família honestos, cristãos e de valores enraizados, e eles, bem o sabemos, não vêm a calça feminina como peça masculina hoje em dia. Não há, em geral, incômodo social e moral com o fato de uma mulher cristã usar calças.


Lembro, novamente, que são calças femininas, e não apropriação feminina de vestuário masculino. Uma calça feminina é, como o nome diz, feminina. Não se trata de moda unissex, de mulher se trajando de homem.

Resta, pois, de acusação contra a calça como vestuário feminino apenas o argumento de imodéstia por revelar parte das formas do corpo da mulher. Ora, mas algo das formas é bom que se revele. A mulher pode, sim, estar fisicamente atraente. Não se trata de revelar tudo, e tampouco de tapar tudo. A realidade é que o corpo feminino é distinto do masculino, e isso pode ser evidenciado em parte das formas que se deixa à mostra, não como em um açougue, mas também não como se o corpo fosse pecaminoso, como se a matéria fosse má, tão ao gosto dos gnósticos - ressuscitados pelos puritanos e pelos neopuritanos.

Está na hora de deixarmos nossas ideologias, nossas opiniões de lado e, quando se trata de modéstia e costumes, ficar com a voz da Igreja, que não condena a mulher cristã usar calças.

Aliás, Santa Gianna Beretta Mola, inegavelmente um exemplo de mulher modesta e virtuosa, usava calças. Uma mulher que usa calças e ganha o céu... E a Beata Clara Luce Badano também usava calças. Duas santas, duas modelos de vida virtuosa e espiritual. A partir delas, será que é certo que se proíba à mulher cristã usar calças?





Para que não reste mais dúvida sobre a licitude da mulher cristã usar calças, eis o que um Papa e Papa canonizado, e escritor do período patrístico, escreveu ao rei búlgaro, que lhe perguntava sobre a licitude do uso das calças compridas por ele e sua mulher, costume de seu povo: “Se vós ou vossa mulher usardes ou não usardes calças, isso nem impede a vossa salvação nem leva a um aumento da sua virtude.” (Papa São Nicolau I, Carta ao Rei Bóris I da Bulgária, em 13 de novembro de 866; PL, CXIX, 1002)

A calça de alfaiataria é inegavelmente feminina se o corte o for. O mesmo com o jeans. Desafio a um homem realmente viril a usar uma calça projetada para a mulher... Duvido que não se veja claramente que a calça feminina é uma peça e a masculina é outra.




Mesmo calças estilo cargo podem ficar “de mulher”. Desde que o corte seja mais suave ou que se equilibre o look com peças explicitamente delicadas e femininas...

Ainda no tema das calças, é possível até mesmo usar uma um pouco mais justa, desde que haja uma combinação que deixe o conjunto modesto. O exemplo abaixo ilustra bem, ao usar a modelo um casaco de maior comprimento e com estampa mais chamativa, o que desvia a atenção para ele.

E as leggings e jeggings? E os jeans skinny?

Veja aqui vários posts sobre as leggings.

Como a maioria das peças, são neutras. Claro que há peças que, ao menos na prática, são imodestas: a maioria dos biquínis, shorts muito curtos, minissaias, blusas com decotes avantajados.

Contudo, o que se dá na maior parte das vezes, é o uso de uma roupa que, combinada com outra, fica imodesta, ou, dependendo do corpo, fica imodesta, ou, conforme a situação, fica imodesta, ou então, a mistura de tudo isso. Um blusa que, usada com determinada peça, fica imodesta, com outra se torna modesta, por exemplo.

No caso em apreço, o que ocorre é o mesmo que com as leggings. Usadas somente com blusas mais ou menos curtas, deixando à mostra o bumbum, fica realmente imodesta, exceto, claro, que se use em uma academia de ginástica, de preferência longe de olhares maldosos. E, se a bunda for grande, é melhor não usar nunca descoberta. Coxas grossas também pedem cuidado.

Um poncho, cobrindo a blusa que seja curta e a calça legging, impede que o corpo todo fique à mostra em suas curvas, facilitando também o uso de botas mais compridas sem prejudicar o recato.

Com os jeans skinny é a mesma coisa: cubra-se ao menos 3/4 da derrièrre. É preciso também que quem a use não tenha pernas grossas, não seja gordinha, nem bumbum muito grande, para que não se tenha o efeito de calça “socada”. Cobrir a bunda e saber se seu corpo permite o uso da skinny: regras de ouro para que sejam usadas de modo modesto. Além disso, como a calça é justa, a parte de cima tem que ficar mais folgada, para que as formas não fiquem totalmente reveladas, descumprindo uma das funções da roupa.

Já na jegging é preciso mais cuidado ainda. Não se alegue que é apenas uma legging e bastam os mesmos cuidados que com ela temos. A jegging, embora tecnicamente não se diferencie de uma legging, faz parecer ser jeans e, desse modo, fica a impressão de ser um jeans ainda mais justo. Qualquer deslize, e a falta de pudor aparece!

Com a jegging, é preciso que a blusa cubra totalmente o bumbum e seja mais folgada ou combinada com casacos mais longos. É bom desviar a atenção das pernas também. Todas as regras da skinny se aplicam à jegging, mas com rigor ainda maior. Se nem todos os feitios de corpo podem usar skinny, menos tipos ainda podem usar a jegging. Claro que não é uma roupa só para quem tem pernas finas, mas a “grossura” da coxa facilmente se torna vulgar, de modo que um bom uso do espelho é uma excelente ferramenta de discernimento.

Nos últimos anos, apareceu a chamada “leather legging” ou “wet legging”, a “legging de couro” (que não é sempre de couro, mas de uma mistura de materiais com elastano, ou couro sintético etc).

mulher cristã pode usar calça


A peça da moda pode ser usada, desde que com MUITO discernimento e bom senso. É preciso o necessário cuidado para não cair na vulgaridade. Ou, então, para que, mesmo elegante, não seja, então, imodesto o seu uso.

A maioria das fotos que se acha na internet procurando por “legging de couro” demonstra um conjunto que NÃO convém a uma mulher católica. Só que isso é um defeito do vestuário moderno em geral, e, com sabedoria, pode-se, em algumas ocasiões, usá-la.

É preciso saber que é uma roupa mais “espalhafatosa”, pedindo, então, peças que a neutralizem. Além disso, é propícia para um barzinho, para uma festa informal com amigos, mas não para trabalhar ou ir à faculdade.

Por ser mais brilhosa, chama mais a atenção. Assim, é necessário jogar com as roupas, com um casaco que cubra as partes mais sensuais do corpo, ou algum outro estratagema. E não vale usar outras peças igualmente brilhosas, para não virar “perua”. A legging de couro já é chamativa: evite-se criar um conjunto “cheguei” demais.

Enfim, nem todas as mulheres podem usar. A tipo “gostosona” deve evitar: dificilmente conseguirá manter o pudor e a virtude. Coxas grossas não combinam com uma peça que, além de colante, se destaca visualmente pelo brilho.

Se perna não é excessivamente grossa, uma blusa branca, por exemplo rouba a atenção, e um casaco esconde um pouco as coxas, bem como a postura ajuda a manter o recato, mesmo com uma peça que nem sempre seja recomendável.

Pode-se também usar a peça com uma sobre-legging, sapatos bem delicados.

Veja aqui um post meu com trechos deste mesmo texto e fotos minhas usando a legging de couro.

Uma sugestão é trajar a legging de couro com um blazer de número um pouco maior e uma blusa de seda, o que dá um ar mais discreto, que é reforçado por um scarpin. O casaco comprido protege o formato da legging e, principalmente se for sóbrio – ainda que moderno – contrasta perfeitamente com a “atenção” chamada pelo estilo da calça.

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Se mulher cristã pode usar calça, como vimos nesse post, invista na sua, se assim você quiser!

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12 comentários

  1. Impressionante!!! Obrigada, pela sabedoria me tirou um grande fardo das costas.

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  2. Realmente, este assunto sobre calça é realmente polêmico rsrsrs Na minha igreja, o costume não permite. Eu não acredito que seja pecado, desde que usada da forma correta, como vc mesmo diz. Mas, apesar de achar isto, algo me incomoda sempre que uso calça. Eu não me sinto a vontade, parece que estou desobedecendo a Deus. Acredito que isto seja algo entre mim e Ele... Como a própria bíblia diz que a morte de Jesus Cristo nos libertou da Lei que foi dada a moisés, e nos prendeu a obedecer a vontade do Espirito de Deus, enquanto eu não me sentir bem, não usarei.
    Beijoooos! =)

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  3. Lorena,

    Essa questão do costume deve ser obedecida. Mesmo na Igreja Católica, onde acreditamos que há uma única doutrina preservada pelo Magistério da Igreja e esse Magistério não nos dá um "dress code", há a questão dos costumes locais que precisam ser preservados para evitar escândalo. Por exemplo, em dado movimento eclesial, em dada diocese ou paróquia, é costume usar só saias na Missa, que se respeite, porque o ambiente, não estando acostumado a outra vestimenta, pode se escandalizar e mesmo isso "atiçar" os homens. Não se trata de relativismo, mas de prudência.

    Em Cristo,

    ---

    Viviane,

    Obrigada pelas palavras.

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  4. Nossa Aline... muito, muito obrigada!!!!
    sou consagrada a Deus em uma comunidade católica... e o Senhor tem nos pedido que se levantem novas mulheres, novas MARIAS... mulheres parecidas com Sua Mãe...
    E temos trabalhado bastante em retiro para mulheres... levando a redescoberta da beleza da feminilidade, tal qual Deus nos criou...
    pois bem... visitando vários blogs de "moda e modéstia"... eu me sentia muito incomodada em ver a acusação de imodéstia que era lançada sobre as mulheres que usavam calças... e eu me questionava, pois muitas calças são tão bonitas e nos deixam tão femininas...
    e sempre fiquei meditando e pensando em relação a isso, pois o Senhor tem remexido bastante em nosso interior... mas, sinceramente, eu percebia que esse caminho do "excesso de regras" estava oprimindo, em vez de libertando... agradeço demais a esse post, pois jogou luz àquilo que estava me incomodando...muito obrigaa
    carol zabisky

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  5. Carol, que bom que o artigo foi usado por Deus para te trazer paz!

    E que bom também que vocês fazem formação nesses temas da feminilidade. Sabia que eu dou palestras sobre isso e estou à disposição para ajudar vocês indo até aí? Manda-me um e-mail: aline@blogfemina.com

    Em Cristo,

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  6. Confesso que também tirei muitas dúvidas ao ler esse post, tbm me sentia incomodada com algumas acusações de que calças femininas não são modestas e estava começando a ficar preocupada pois não gosto muito de sais e vestidos. Mas Graças a Deus encontrei seu blog. Obrigada pela ajuda :)

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  7. Seria muito importante se esse texto chegasse a muitos lugares onde "demonizam" a calça e quem a usa. Já vi meninas humilhando outras só por elas usarem calças. Felizmente consegui me libertar desse saudosismo que nada acrescenta e estou aprendendo a cada dia como ser mais modesta.

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  8. Aline Rocha, seu texto ficou muito bem elaborado e sensato! Sinceramente, você ganha mais pessoas para a modéstia expondo seu pensamento conforme o texto acima (por sinal muito bem fundamentado!), além de postar seus look's, do que muitos blogs radicalistas que eu vi aqui na rede que ficam emitindo certezas sobre usos e costumes que, por sinal, a história já nos provou que são variáveis.

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  9. Parabéns pelo texto e por sua serenidade e pelo embasamento teorico. Vejo que as pessoas que demonizam a calça nas mulheres se fundamentam mais em suas ideologias do que em Deus. Não podemos ser como os fariseus que olhavam para o exterior e se esqueciam do interior. Continue com seus textos espero que ele chegue a muitas pessoas.

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  10. Desculpe a pergunta, que não tem exatamente a ver com o assunto da postagem, mas
    quais os indícios de que Lewis estava próximo da conversão quando morreu? E de que ele tinha devoção ao Papa, à Virgem Maria e ao Santíssimo Sacramento?

    Pergunto porque gosto muito dele e não me deparei com essas informações em nenhum outro lugar.

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    1. Olá,

      Bem, era o natural a ocorrer pelo modo como ele expressava o cristianismo, e pelas amizade católicas que o rodeavam, algumas delas que também eram convertidas do anglicanismo que ele professava. E mesmo anglicano, ele estava imerso ou ao menos mais próximo da ala chamada High Church, que tem bastante devoção a Nossa Senhora e crê na presença real de Cristo na Eucaristia.

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    2. Quanto ao Papa, eu não disse que ele tinha DEVOÇÃO, mas ADMIRAÇÃO, o que é dito por vários contemporâneos e se infere do modo como ele valorizava o primado petrino, colocando, por exemplo, o nome do líder dos reis de Nárnia como Pedro.

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