Como o meu guarda roupa foi de grunge a feminino em seis meses

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Mais um texto incrível da revista americana Verily, desta vez escrito pela Lilly Bozzone, e traduzido pela minha amiga e xará Profª. Aline Galhardo. Verily é uma revista de moda, como tantas outras no mercado editorial, porém inspirada em valores cristãos, interessada em falar da beleza real e inspirar mulheres a serem a melhor versão de si mesmas!
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Ao descobrir quem eu realmente sou, aprendi a me vestir.

Quando falo sobre meus anos de adolescente grunge, a maioria das pessoas apenas sorri e diz “claaaro” porque todo mundo tem conflitos internos no colegial, certo?

Nesse momento, eu geralmente mostro a elas o velho álbum de fotos do Facebook. “Oh! Uau,” elas geralmente respondem, surpreendidas por eu estar na frente delas com algum conjunto de saia ou vestido.

Voltemos seis anos e meio atrás. Eu pensava que fosse grande coisa. Tipo, como você poderia não pensar que o combo camisola de renda + flanela era o mais legal? Sem mencionar o olhar (super delineado) para mostrar a todos a minha disponibilidade. Passei meus finais de semana indo a shows de bandas gritonas de fundo de garagem, assistindo filmes de terror, mantendo meu corte de cabelo estilo Cleópatra, que eu frequentemente fazia sozinha com a tesoura de cozinha da minha mãe. Ah, sim, o conflito era super real.

Embora meus dias de calças justas e rasgadas e botas de combate tenham ficado para trás, não faz tanto tempo que adotei uma forma mais feminina de me vestir – mais ou menos seis meses para ser exata. Então como essa pessoa que imitava a Courtney Love se tornou a editora de estilo numa revista ultra-feminina como a Verily? Cenas do próximo capítulo...

Veja, no mundo da moda você pode se tornar um personagem diferente a cada vez que se veste.Num dia eu era a rainha grunge, no outro uma hippie boho, depois Blair Waldorf (Viva as tiaras), e daí de volta aos anos noventa como Claire Danes de Minha Vida de Cão. Essa é a parte legal da moda; ela te permite usar diferentes tipos de chapéus dependendo do que te inspira. Mas o que eu aprendi esse ano é que moda e estilo são duas coisas completamente separadas, e por mais que experimentasse diferentes tipos de moda, não expressava muito um estilo pessoal.

Deixei o estilo Nirvana para trás depois do ensino médio, mas durante a faculdade eu só vestia roupas masculinas, e na pós-graduação escolhi várias túnicas de tamanho grande e minimalistas e camisas compridas. Eu sempre digo que o exterior reflete o interior e, muitas vezes, isso é manifestado naquilo que vestimos. Vou ser sincera com você, meu primeiro ano em Nova Iorque foi um pouco tumultuado, e como muitos alunos de pós-graduação, refleti muito sobre a busca interior. Notei que quanto mais insegura de mim mesma eu era, mais na moda ou andrógina eu me vestia. E o mais importante: eu não sabia quem eu era, e o modo como me vestia refletia aquilo. (Aliás, minhas queridas pós-graduandas, a vida realmente fica melhor depois da graduação, você ficará bem.) Quando aprendi a lidar com isso, o modo como me vestia mudou drasticamente.

Veja, sobreviver ao seu primeiro ano da vida adulta é como sair de uma escada rolante em que você estava correndo por doze meses seguidos, de salto alto. Assim que me livrei da dívida como neófita recém saída da faculdade, pude parar um momento e perceber que eu tinha realmente sobrevivido. Apesar daquele primeiro ano de lutas, amadureci mais do que esperava, e por sentimental que pareça escrever isso, amadureci e me tornei especificamente quem eu sou como mulher hoje. Sem perceber, passei a comprar e usar mais vestidos e saias. Sentia-me alegre com minha saia rosa plissada, meu vestido vermelho de babado, e minha saia-lápis verde azeitona. Vestir-me de manhã finalmente se tornou algo legal novamente, e depois de anos me vestindo maltrapilha e ultra-conformista, senti que finalmente era eu mesma. Nada bate aquele sentimento “sai da frente que eu quero passar” quando você está procurando emprego na rua enquanto seu vestido ondula atrás de você.

Quando mostro às pessoas a prova dos meus anos de grunge, elas sem dúvidas ficam surpresas com a vibe “Smells Like Teen Spirit”, mas acredito que elas ficam mais surpresas pela transformação interna que os estilos antes e depois representam. Como geração Y, minha jornada de estilo se completou com uma história de amadurecimento vista através de vários apetrechos mostrados na mídia social. Mas tudo isso levou a um sentimento de auto-atualização enquanto mulher no mundo moderno. E com cada saia retrô ou blusa bordada, estou entendendo quão poderosa a feminilidade é e estou demonstrando isso às pessoas.

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Lilly Bozzone é recém-formada da faculdade perseguindo seu sonho de trabalhar na indústria da moda em Manhattan. Você pode encontrá-la vagando pela 5th Avenue reverenciando as vitrines da Bergdorf Goodman ou tirando fotos para o Instagram das escadas de incêndio em Soho. Quando não está sendo um clichê total, ela trabalha como Editora de Estilo na Verily Magazine.

Aline Galhardo é casada e professora de Inglês há 6 anos. Contato para traduções e aulas particulares: teacher.galhardo@gmail.com

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