terça-feira, 30 de maio de 2017

Joana d'Arc, feminina e não feminista

Hoje, 30 de maio, celebramos a festa de Santa Joana d'Arc, uma venerável mulher canonizada pela Igreja Católica.

Joana d'Arc, feminina e não feminista


Curioso como muitas feministas a adotam como se fosse uma sua antecessora, um símbolo de luta "pela mulher" e de igualdade entre os sexos. 

Joana d'Arc, feminina e não feministaNada mais falso! Joana d'Arc lutava por Deus, pela Igreja e pela França. Nunca se considerou símbolo de nada. Era humilde e só aceitou as posições de liderança militar que ocupou por desígnio divino. Mulher de profunda oração e confiança na graça de Deus, sempre se achou a última das criaturas, e nisso reconhecemos que o Senhor exalta os humildes e assim o faz para confundir os sábios.

Em nenhum momento, Joana quis dar nova condição à mulher, fazê-la igual ao homem. Aliás, foi no cristianismo, e no cristianismo medieval, que a mulher foi profundamente valorizada, reconhecida e dignificada. O machismo, o excesso de patriarcalismo, e uma certa opressão à mulher são produtos da modernidade e não da Idade Média, são características do Estado Moderno e do aburguesamento da sociedade (acentuado no período vitoriano) e não do cristianismo.

As feministas, na verdade, perceberam um problema real, mas o misturaram com problemas inexistentes, deram explicações equivocadas para a soma deles, e propuseram soluções mais absurdas e erradas ainda. 

A mulher não é igual ao homem, mas isso não é machismo. Graças a Deus que somos diferentes. Não precisamos e nem devemos ser escravas dos homens, dos pais, dos maridos, passando o dia apenas bordando e passando paninhos na casa. A mulher de Provérbios 31, tida pela Bíblia como exemplo de mulher virtuosa, cuidava do lar, cuidava do marido, cuidava dos filhos, mas produzia economicamente, gerenciando os negócios da família. Não era um enfeite sem vontade como no machismo vitoriano e não deve ser uma empoderada que passa o dia na rua para se afirmar no mercado de trabalho como quer o feminismo contemporâneo. Em Provérbios 31, como em toda a ordem natural, a unidade de produção familiar gerenciada pela mulher não está dissociada do lar, coisa que só veio a acontecer de modo mais ostensivo e comum a partir da modernidade, o que culminou com a mulher se tornando não uma dona de casa, mas um capacho em casa. O professor Carlos Ramalhete fala nisso aqui e também aqui.

Joana d'Arc, feminina e não feminista
Para combater o machismo não precisamos do feminismo. E para combater o feminismo não precisamos do machismo. Contra ambos os erros, basta-nos o cristianismo. E nele Santa Joana é um poderoso símbolo.

Mulher, delicada, paciente, receptiva, com todas aquelas qualidades próprias do gênio feminino, soube atender à voz de Deus com coragem e entusiasmo para entrar em guerra contra o erro e contra o mundo. A delicadeza da mulher não a faz uma fresca afetada. E a coragem não a deve embrutecer. Mesmo com armadura e espada em punho, havia sobre ela um caráter todo feminino, todo próprio da feminilidade. De armadura, de espada, com coragem, com fortaleza, mas não querendo ocupar lugar dos homens ou mudar estruturas. Sempre insistiu em se apresentar aos guerreiros homens como "Joana, a Donzela".

Ao passo em que guerreava, nunca escondeu suas habilidades manuais tipicamente femininas para a época, com o cuidado com a casa, o corte e a costura. Chegou mesmo a realçar tais qualidades no julgamento canônico - ilegítimo - a que foi submetida anos mais tarde. Quando não estava em batalha, permanecia em companhia das mulheres, fazendo o que era esperado que as mulheres fizessem, coisas próprias de sua condição feminina.

"O que se sabe por sua observação é que ela sabia que sua vocação era de mulher e não de homem. Apesar de seu gênio militar, Joana não era amazona, nem sufragista, e certamente nem uma odiadora de homens. Não eram mulheres, mas homens a quem ela conduzia à batalha contra outros homens. Seu objetivo, além disso, era colocar um homem no trono da França." (The Remnant. Joan of Arc: Scourge of Modern Feminists)

Joana d'Arc, feminina e não feministaEla não era uma empoderada. O poder de Joana estava em Deus, em sua confiança inabalável na graça do Altíssimo. 

A donzela de Orleans, a inocente pastorinha da Lorena, foi a escolhida para comandar o exército francês a fim de derrotar o jugo inglês e dar posse ao rei legítimo daquela foi a filha primogênita da Igreja Ocidental (pois o Reino Franco, que deu origem à França, foi o primeiro país do Ocidente a adotar o cristianismo como religião oficial; antes a Armênia havia feito igual, mas no Oriente). De uma alma delicada e sem arredar um milímetro de sua feminilidade ecoou um poderoso brado de guerra. Como mulher, fez o que mulheres fazem de melhor: curam e orientam os homens, como a Igreja faz com seus sacerdotes, ou a esposa com o marido.

Joana d'Arc foi a sucessora das grandes heroínas bíblicas, como Ester, que salvou o povo hebreu junto ao rei Assuero, ou como Judite, que cortou a cabeça do general Holofernes, ou ainda como Débora, a juíza e profetisa de Israel que reuniu as tribos de Naftali e Zebulom para enfrentar Sísera e acompanhou Baraque e seu exército em batalha. Ela lembra também Isabel de Castela, a Rainha Católica, embora Isabel tenha vivido alguns anos depois (meu marido, Rafael, ministra um curso on-line sobre Isabel e vocês podem se inscrever a qualquer momento para assistir todas as aulas neste link).

Joana d'Arc, feminina e não feministaFoi Joana quem proporcionou a coroação, em Reims, de Carlos VII, e morreu traída pelos borguinhões aliados aos ingleses, que a julgaram de modo ilegal com o apoio de um Bispo deposto. Aos inquisidores, que resolveram testar sua fé, sempre respondeu de maneira ortodoxa, e mesmo quando colocada em apuros quanto a questões teológicas e espirituais, e que lhe perguntaram se estava na graça, querendo com isso, conforme a resposta, enquadrá-la como quem presume de estar em Deus ou que não confia suficientemente no Senhor, respondeu: "Se estou na graça, Deus nela me conserve. Se não estou, Deus nela me coloque."

Sabiamente, a Igreja anulou o julgamento inglês, a beatificou em 18 de abril de 1909 por São Pio X, e a canonizou em 16 de maio de 1920 por Bento XV. Ela foi declarada padroeira da França em 1922.

Para lerem mais sobre a santa, vejam os seguintes links:





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6 comentários:

  1. Amei seu post. Muito útil e motivador. Deus abençoe

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  2. Maravilhoso! Certamente uma de minhas santas favoritas

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  3. Otimo texto. Tenho passado por dias muito dificeis. Fui criada na igreja catolica e frequentei ate meus 18 anos, a partir dai comecei a conhecer teorias de explicação de todas as coisas e me revoltei com a igreja. Hoje aos 34 anos milito no movimento feminista a 10 anos e estou infeliz. A 3 anos tenho me afastado da militancia e sentido muita falta da igreja. Não encontro mais no feminismo resposta para tudo , na verdade a sensação é estranha, é de voce ter trabalhado num erro, por nada a muito tempo. Sinto muita falta da igreja e de conversar sobre essas coisas, principalmente sobre essas questões da mulher. Estou extremamente infeliz hoje, isso é so a ponta de toda frustração e sensação péssima. As vezes quero dizer publicamente sobre tudo que não concordo mais, porem não posso falar, porque sou conhecida, não conseguiria me expor. Não sei como resolver tudo isso.

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    1. Estou na mesma situação :(

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  4. Caríssima anônima. Obrigada pelo depoimento sincero e corajoso. Há outros posts contra o feminismo aqui no blog. Se quiseres dar uma procurada, vai te ajudar, creio eu. Estou à disposição para ajudar também. Mande-me um email, se quiseres, e vamos conversar.

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  5. Oi. Vou mandar um email ( aline@blogfemina.com) do meu email pessoal. Só por favor não divulgue meu nome. Obrigada

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