Ser mãe...

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Estou “pagando pela minha língua”, pois acabei de deixar minha filhinha em uma escolinha. Sempre achei um crime colocar crianças com menos de 3 anos em escolinhas. Pela primeira vez ficamos separadas de fato. Senti um misto de dor, tristeza e culpa.

Culpa? Sim, esta sempre passou a me acompanhar desde que me tornei mãe. Culpa por deixá-la e culpa maior ainda por também ter sentido certo alívio. Desde que me tornei mãe em tempo integral, há 10 meses e meio venho recuperando o gosto de ser “eu”. Eu tinha a opção de ficar em casa, sendo apenas mãe e dona-de-casa. Mas sei que isto não é o melhor para minha filha e nem para mim.

Ela precisa sair e enfrentar o mundo, pois percebo sua personalidade mais retraída. Sem contar que ela adora passear e ver outras pessoas. E eu preciso voltar a trabalhar, enfrentar novamente a realidade do mundo, sei que Deus me pede para que eu vá, não sou vocacionada a ficar somente em casa. Seria fácil e até bom demais para mim. Também não quero daqui a 20 anos, quando ela sair de casa, ficar com aquele sentimento de abandonada, fazendo chantagem para que ela viva em função de mim como eu vivi em função dela. Eu sei que não define ela estar em uma escolinha isto, mas foi o primeiro passo para que eu comece a preparar minha cabeça para criar meus filhos para o mundo. Sei que sou apenas babá de Deus. Entretanto, o ego vai enchendo cada vez que ela SÓ dorme comigo, SÓ mama comigo, SÓ quer o meu colo. Por isso que para MIM foi ultra-necessária esta separação.

Uma vez uma tia me falou que a maternidade é uma doença. E é verdade, contraída pelo resto da vida. A gente tem a sensação que sempre foi mãe. Não me imagino mais sem a Maria Antônia. Ela passou a ocupar todos os lugares de minha vida. Passo o dia pensando (e fazendo) no que tenho que fazer, colocando-a sempre no primeiro plano. Controlo-me para não pensar que só o meu jeito é o correto, que sou indispensável em sua vida e todas aquelas besteiras que as mães pensam.

Se bem que estou fazendo tempestade em copo d’água. Pois ela simplesmente deu os bracinhos para a dona da escolinha e nem quis mais saber da mamãe. Ficou lá brincando enquanto olhava encantada para outra menininha.

Mais uma vez, vejo como Deus é pedagógico. O tanto que julguei, que fiz regras de condutas de mãe, apontei defeitos em outras mães, só serviram para me mostrar que somente estando em determinada situação é que sabemos como e o porquê de agirmos de tal forma.

Precisei ser mãe para achar que dormir seis horas seguidas é o melhor sono do mundo, que comer uma refeição completa, sem interrompê-la, tem um sabor maravilhoso, que apenas pentear o cabelo e colocar um par de brincos pode te transformar, enfim... A maternidade me ajuda a vencer meus mais difíceis e mesquinhos defeitos.

E sabem o que mais? É muito divertido ser mãe, e, apesar de tudo, é uma grande aventura. E quando vencemos essas “barreiras”, como hoje, de saber que não sou insubstituível, é maravilhoso, pois percebo que Nosso Senhor está mais próximo de mim e uno meu sofrimento de mãe à melhor e mais perfeita Mãe do mundo. Esta, sim, foi capaz de permitir que seu Filho passasse as piores dores, consolou os de sua volta e o criou para a cruz.

Desejo, sinceramente que Nossa Senhora me ajude na tarefa de criar meus filhos para suportarem suas cruzes, pois esta cruz eu não sei e nem consigo levar sozinha.

POSTS RECOMENDADOS

13 comentários

  1. Excelente texto! Parabéns pela crônica, muito sincera, profunda e reveladora. Sugiro mais posts sobre o tema.
    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Caríssima, dói, mas é bom pra elas e pra nós ...novos espaços, novos aprendizados ...lembro como se fosse hoje o dia em que deixei a minha pequena na escola, com quatro para cinco meses ...tinha que voltar a trabalhar, a vó da creche me mandou ir dormir, que ela estaria bem ...hoje à tarde ela começa o primeiro ano da escola dos "grandes" ...o tempo passou rápido ...curte a nova fase e sejam felizes, tu e a Maria Antônia !

    ResponderExcluir
  3. Gostei muito de seu testemunho, Aline, principalmente porque uma das coisas que fazem com que eu me afaste da maternidade é que sei que sou possessiva e não gostaria que "outros" cuidassem de um filho meu. Também como você não sinto que tenho vocação para cuidar apenas da casa.
    Obrigada por sua partilha sincera que veio com luz ao encontro das minhas angústias.
    Abraços.
    Janete

    ResponderExcluir
  4. Fiquei emocionada ao ler o texto, uma vez que me identifiquei com as tuas angústias e anseios de mãe. Precisamos criar os filhos para o mundo, sim, mas é preciso muita fé e coragem para que saibamos direciona-los aos melhores caminhos. Que Nossa Senhora ilumine a todas nós, mães de corpo e de alma.

    ResponderExcluir
  5. Cara Aline,

    o comentário que se segue é apenas um desabafo meu, em nada se refere à sua opção, que apenas me fez reflectir um pouco mais.
    De facto, penso muitas vezes na questão de ser mãe "a tempo inteiro".
    Considero que, em certas profissões, no ramo de engenharia por exemplo, é extremamente difícil trabalhar fora de casa um número de horas tal que não remeta a família para segundo plano.
    Aqui em Portugal, ninguém espera que um engenheiro trabalhe em "part-time"...ora, se eu sair de casa às 9h e regressar às 18h, qual é o tempo de qualidade que dedico aos meus filhos? Se eles são a minha prioridade, porque é que só lhes entrego algumas horas ao fim do dia, quando já estou cansada e com menos paciência?
    Assim, penso em dedicar-me em exclusivo à minha família futuramente...
    Acho ainda que, como alternativa ao infantário ou colégio na idade pré-escolar, podemos integrar as crianças numa outra actividade, mais curta, como natação ou música, por exemplo, o que também lhes permitirá o contacto com outras crianças.
    Ah! Há um blog em inglês que sigo, de uma mãe a tempo inteiro cujos filhos, inclusivé,são educados em casa.
    São fantásticas as actividades que ela faz com eles, dê uma espreitadela http://showerofroses.blogspot.com/

    Em Cristo

    ResponderExcluir
  6. Sim, é uma alternativa, mas que a Maria Antônia tem DEZ MESES. Não tem natação ou música. O "coleginho" nada mais é do que um berçário, uma "babá" coletiva.

    E a Aline não trabalha das 8h às 18h. Ela está parada como advogada aqui em SVP, e só dará aulas pela tarde, das 13h30 às 17h30, que é o horário em que a Antoninha estará no berçário.

    ResponderExcluir
  7. Graças a Deus, Rafael!
    O horário da Aline é uma benção =)
    Oxalá eu pudesse um dia fazer o mesmo...
    Felicidades!

    ResponderExcluir
  8. Paz e bem!

    "Descobri" seu blog e tenho visitado vez ou outra para "desbravá-lo". Confesso que muitas das coisas que já li aqui já foram conversadas entre mim e o meu diretor espiritual, muitas coisas concordam entre si, muitas outras discordam.

    O fato é que, nessa postagem que li, fiquei maravilhada. É bom conhecer casais que vivam o matrimônio. Sim, o matrimônio, sacramente instituído por NSJC. E, não bastando ser uma só carne, "se multiplicam" e multiplicam esse amor. Os filhos são prova disso. Pude perceber que o zelo que possuem por Maria Antônia é demasiado, e é disso que as crianças precisam! De pais que os amem! Para amar não é necessário estar perto 24h, afinal a distância é a barreira que marca maior presença nos relacionamentos humanos, pois é facilmente instaurada. Você não deixará de amar menos a menina por tê-la colocado no colégio, de fato.

    Contudo, há uma coisa que me incomodou em sua colocação. Desculpe-me a ousadia, mas não criamos os filhos "para o mundo", e sim para Deus. Temo-los para Deus e unicamente para Ele. Devemos criá-los na doutrina e fé católica tendo essa concepção, que não são objetos que nos pertencem ou deixam de pertencer. São criaturas amadas de Deus. É importante essa concepção até para o discernimento vocacional. Santo Afonso Maria de Ligório afirma que a família é o fator que mais nos atrapalha para o discernimento vocacional, pois os pais não querem entregar seus filhos a Deus e seus desígnios. "Ser padre é bonito, no filho do vizinho, o meu nunca!" ou até o contrário, "para ser um cristão digno tem que ser padre. nada de casar, isso é muito comum". E não é assim. Mais uma vez me desculpo pela ousadia e desabafo. Mas me incomodou "para o mundo". Sei que não tiveste a intenção de dizer nada relacionado as coisas mundanas, mas meu zelo por isso é por demais.

    Gostaria de conhecer um pouco mais sua família, como já disse, é um exemplo de casal cristão. Atualmente, ofereço meus trabalhos ao Centro Arquidiocesano de Orientação Vocacional da minha arquidiocese (para maior contato, ao centro, se quiser acesse centrovocacional.com), que oferece trabalhos como Curso de Noivos, Itinerário para Matrimônio, Retiro pré-Matrimonial, entre outros trabalhos, e é sempre bom ter esses contatos.

    fiquem com nosso Senhor, sob o olhar de nossa Mãe e na companhia dos santos anjos

    ResponderExcluir
  9. Cara Aline, acho que todas as mãe passam por essa angústia um dia. E não é exclusividade de quem trabalha fora de casa. Sou uma mãe que fica em casa, mas matriculei tb minha primeira filha com 3 anos. Achava cedo demais, mas ela pedia, já sabia o que era uma escolinha e sabia que outras crianças também iam. O que motivou a matricula-la no entanto foi que estava gravida já do meu terceiro filho e prestes a dar a luz, e por esse motivo, não dando conta do trabalho, resolvi colocar não só minha filha aos 3, como meu filho aos 2 anos juntos e os dois foram ao mesmo tempo a escolinha. Era um tempo que tinha para mim mesma, para descansar, cuidar dos preparativos do terceiro parto e depois disso, cuidar do bebe com um pouco mais de exclusividade... Todas nós um dia pagamos pela nossa boca...Quantas vezes repetia comigo: "quando tiver meus filhos, isso não acontecerá!" A vida nos dá umas voltas... e o Bom Deus e a Virgem Santíssima sempre cuidam de nós e nos guiam nesse difícil e prazeroso ofício da maternidade.

    ResponderExcluir
  10. Obrigada, meninas, pelo carinho. Com o tempo colocarei posts sobre ser mãe hoje. Bj,

    ResponderExcluir
  11. Ótimo seu texto, muito sincero. Enfim, daqui há alguns dias meu Miguel vai nascer e então saberei sobre essas angustias de ser mãe.
    Abraços

    ResponderExcluir
  12. Que bom ler o seu texto. Atualmente sinto-me muito culpada por deixar os meus filhos às 8h15m e só voltar a vê-los perto das 19h00m. Sinto revolta.
    Bjs

    ResponderExcluir

Modest Fashion Network

Curta no Facebook

Moda e modéstia

Estou no Instagram @aline.brodbeck