4 virtudes da feminilidade cristã

terça-feira, novembro 04, 2014

1) A mulher cristã é corajosa.


"Todos os servos do rei e o povo de suas províncias sabem bem que, para quem quer que seja, homem ou mulher, que penetrar sem ser chamado na câmara interior do palácio, há uma lei real condenando-o à morte, exceção feita somente àquele para o qual o rei estender seu cetro de ouro, conservando-lhe a vida. E eis que são já trinta dias que não sou chamada junto ao rei.

As palavras de Ester foram referidas a Mardoqueu, e este lhe mandou responder: 'Não imagines que serás a única entre todos os judeus a escapar, por estares no palácio. Se te calares agora, o socorro e a libertação virão aos judeus de outra parte; mas tu e a casa de teu pai perecereis. E quem sabe se não foi para essas circunstâncias que chegaste à realeza.'



Ester mandou responder a Mardoqueu: 'Vai reunir todos os judeus de Susa e jejuai por mim sem comer nem beber durante três dias e três noites. Eu farei a mesma coisa com as minhas criadas. Depois disso, apesar da lei, irei ter com o rei. Se houver de morrer, morrerei.'" (Est 4,11-16)

Olhem a coragem da rainha Ester, que é louvada pela Igreja como uma grande santa do Antigo Testamento. Ela não foi chamada à presença do rei durante um mês inteiro. Sua fé destemida, apoiada em inabalável confiança no poder de Deus, a encorajou a desrespeitar o costume e a lei do rei e a entrar em sua presença mesmo com o grande risco de perder a sua própria vida!

Isabel, a Católica, rainha de Castela e que consolidou a Reconquista da Espanha aos mouros e unificou seu país, patrocinando depois, a viagem de Cristóvão Colombo para descobrir a América, é um exemplo perfeito de mulher que, sem perder sua feminilidade, soube desempenhar o altíssimo papel que a Providência lhe reservara na sociedade.

Esposa e mãe exemplar, delicada, feminina, sempre se arrumando bem e se preocupando também com o exterior, tratou com maestria de, com seu marido, Fernando, o Rei Católico, conduzir os negócios de Estado, administrando a Justiça, presidindo tribunais, e mesmo galopando centenas de quilômetros durante as guerras contra os muçulmanos, para conseguir reforços e aumento no recrutamento de soldados. Isabel estava sempre presente por ocasião das entregas de fortes e fortalezas dos maometanos, e nesses episódios portava espada e armadura.

A Rainha Isabel conjugava sua feminilidade, sua vocação principal de mãe e esposa, os deveres de estado no lar, com os as coisas próprias do governo e da guerra, os deveres de estado na sociedade. E tinha sabedoria para discernir o que Deus queria dela em cada área de sua vida por ser piedosa. O título de Rainha Católica não era nela uma formalidade: rezava o breviário diariamente, assistia Missa também diariamente, confessava-se e comungava com frequência, submetia-se a um diretor espiritual, procurou reformar as Ordens religiosas e os mosteiros espanhóis, e proveu a América recém-descoberta a instâncias de sua Coroa de missionários, pregadores e Bispos para a conquista espiritual dos indígenas, além de promover a evangelização de judeus e muçulmanos, sempre deixando claro que se deveria proceder com amor e prudência, sem forçar os batismos.

E como exercemos essa coragem cristã feminina hoje? Recebendo os filhos que Deus nos dá. Aguentando as pauladas que levamos do mundo quando nos olham torto por conta de nossa fé. "Matando no osso do peito" as críticas por irmos à igreja todos os domingos, pautarmos nossa vida pela vontade de Deus, sermos fiéis aos nossos princípios, estarmos abertas à vida, termos vários filhos. É a coragem de ir contra a corrente para fazer o que Deus quer, e, mais ainda, não apenas fazer tudo isso por obediência, mas com alegria, e nos realizando como mulheres do Senhor!

A coragem se manifesta como virtude na mulher de um jeito diferente. A própria feminilidade pode ser traduzida como um tipo especial dessa coragem. Ao ficarmos grávidas, nossa coragem é expressada de maneira sublime, pois oferecemos não uma ajuda, e sim o nosso próprio corpo para o nosso filho. Gestação e parto são formas especiais da feminilidade e, portanto, da virtude da coragem. O próprio casamento é um sacrifício, eis que a mulher cristã imola no altar do matrimônio a sua própria liberdade exercida de modo pleno, colocando-se submissa ao marido.

A Bíblia nos diz que a mulher virtuosa "[c]inge os rins de fortaleza, revigora seus braços." (Pv 31,17)

2) A mulher cristã é sábia

"Casas e bens são a herança dos pais, mas uma mulher sensata é um dom do Senhor." (Pv 19,14)

A sabedoria é uma consequência da vida da mulher que sabe escutar a sua própria feminilidade. Evidentemente, cada temperamento e estrutura psicológica age de forma diferente em cada mulher. Nenhuma mulher é igual a outra. Há, todavia, uma como que tendência inata na feminilidade, compartilhada, em potencial, por todas as mulheres, que é a de não meter os pés pelas mãos. As de temperamento mais colérico ou sangüíneo serão um tanto avoadas, claro, mas uma voz interior as chama a ser mais cuidadosas do que os homens de mesmo temperamento. 

Isso não significa também que toda mulher seja sábia. A sabedoria da mulher decorre da feminilidade, mas da feminilidade entendida, aceita e bem formada. 

Homens, ademais, podem ser sábios, como na primeira virtude homens podem ser corajosos. Entretanto, se a coragem feminina é algo distinta da masculina, a sabedoria de um e outra guarda suas diferenças também. Tanto que a mulher sensata é louvada como um dom de Deus, a mulher sábia, que tem prudência. Ela é o esteio de sua casa, o chão onde seu marido pode se firmar sem cair, o alicerce da família. Sua sabedoria auxilia e aconselha, com docilidade, com sutileza, o marido para que ele possa liderá-la e aos filhos com firmeza, autoridade e caridade.

3) A mulher cristã é receptiva

Maria, a Mãe do Senhor, deu seu "sim", seu "fiat", recebendo a vontade de Deus. Mais ainda: recebendo o próprio Deus que se fez carne em seu seio, para nele crescer e dele nascer para nós no Natal. 

A feminilidade é receptiva. É próprio dela receber a "semente" do homem em seu seio, gestando e guardando a vida humana desde o seu início. Ela é a destinatária do amor para, sendo amada, amar. 

Ensina o Papa São João Paulo II: "Quando dizemos que a mulher é aquela que recebe amor para, por sua vez, amar, não entendemos só ou antes de tudo a relação esponsal específica do matrimônio. Entendemos algo mais universal, fundado no próprio fato de ser mulher no conjunto das relações interpessoais, que nas formas mais diversas estruturam a convivência e a colaboração entre as pessoas, homens e mulheres. Neste contexto, amplo e diversificado, a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo fato da sua feminilidade. Isto se refere a todas as mulheres e a cada uma delas, independentemente do contexto cultural em que cada uma se encontra e das suas características espirituais, psíquicas e corporais, como, por exemplo, a idade, a instrução, a saúde, o trabalho, o fato de ser casada ou solteira." (Mulieris Dignitatem, 29)



É pelo entendimento da receptividade que entendemos melhor o conceito de submissão da esposa ao marido. Falamos, meu marido e eu, sobre isso aqui neste texto.

4) A mulher cristã é delicada

Não se trata aqui de frescura, de coisa de mulherzinha. Aliás, tratei disso no blog Negócios de Família. E também na coluna que mantinha na Revista Vila Nova. Enfim, em outro texto na mesma revista.

Creio que esses três artigos expressam bem o que quero dizer com a delicadeza feminina.

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Espero que tenham gostado. Evidentemente, não são apenas essas quatro virtudes que uma mulher cristã possui. Sua plena feminilidade é cheia de valores humanos e cristãos, e mesmo o cultivo das virtudes pode variar de intensidade de uma mulher para outra. A disponibilidade ao sacrifício, o acolhimento do outro, a entrega, a sensibilidade, o foco no interior, a vocação de mediadora, o amor pelo concreto, a intuição, a ternura e a generosidade, a docilidade e a tranquilidade, são característias que devem estar presentes na alma da mulher cristã.

Quem sabe eu não volte ao tema em outro post? 

Ou até mesmo desenvolva isso tudo em um livro? Já tenho faz tempo a idéia de escrever "A mulher segundo a vontade de Deus". Será que depois de eu terminar o livro sobre moda e modéstia, consigo finalmente começar a escrever esse outro?

Conto com as orações das leitoras!




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