quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Fitness fashion (e reflexões sobre atividade física e fé cristã)

O esporte é uma excelente forma de ressaltar valores humanos e cristãos. Nosso corpo é templo do Espírito Santo (cf. 1 Co 6,19). Assim, é ótimo que tomemos cuidado para a sua preservação, valorizando a saúde. “A vida e a saúde física são bens preciosos doados por Deus. Devemos cuidar delas com equilíbrio, levando em conta as necessidades alheias e o bem comum.” (Catecismo da Igreja Católica, 2288)

De fato, o esporte salienta diversas virtudes, como a camaradagem nos jogos em equipe, a perseverança, o recomeçar e nunca desistir, a progressão prudente na intensidade dos treinos, o saber perder, o tratamento benéfico ao corpo para melhor desempenhar seus deveres de estado (um pai e uma mãe que se cuidam podem melhor cuidar os filhos, por exemplo), o simbolismo da competitividade como luta espiritual pela vida eterna e posse da graça etc.

“Gratuidade e liberdade são características do esporte que no sentido mais amplo e criativo do termo pertence à essência da humanidade. Por isso, quem crê deve entender melhor o verdadeiro significado do esporte e o esporte deve ser uma analogia para falar sobre a fé.” (Cardeal Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Discurso no Seminário Internacional “Os crentes no mundo do esporte”, no Vaticano)

“No nosso tempo, quando uma necessidade urgente de educar as novas gerações é evidente ser necessário que a Igreja continue a apoiar esportes para a juventude, salientando ao máximo seus aspectos positivos (...) e para ajudar as pessoas a acolher as muitas oportunidades valiosas que o esporte pode oferecer na pastoral da juventude.” (Papa Bento XVI, Mensagem de 3 de novembro de 2009)

Evidentemente, não se trata de cair no hedonismo de nossa sociedade pós-cristã, colocando o corpo acima da alma, mas expressando a alma também mediante o cuidado com o corpo. “Se a moral apela para o respeito da vida corporal, não é que faça dela um valor absoluto. Pelo contrário, insurge-se contra uma concepção neo-pagã, tendente a promover o culto do corpo, sacrificando-lhe tudo, e a idolatrar a perfeição física e o êxito desportivo.” (Catecismo da Igreja Católica, 2289)

Procure um exercício físico que seja adequado à sua condição, do qual você obtenha prazer e estímulo para continuar, e que realmente ajude nos seus objetivos. Coloque como uma meta a prática regular da atividade física e peça ajuda de Deus para não desistir. Rogue por força, perseverança e por não perder de vista as boas intenções que você deve ter.

Para o exercício físico, sobretudo feminino, convém, como cristãs, não apenas estar atentas a esses pontos, como também ao recato na vestimenta própria para essa atividade. É preciso malhar com segurança, refletindo sua dignidade e também o respeito pelo próprio corpo e a sua autoconfiança.

Já escrevi algumas dicas a respeito da modéstia na prática de atividade física, mas sempre é bom repetir:

A modéstia, sabemos, é absoluta, mas a aplicação de seus princípios é circunstancial. Não conseguiremos tirar proveito suficiente da atividade física, por exemplo, com longos vestidos...  Obviamente, isso não nos conduz ao relativismo de considerar que a maioria das modas fitness que vemos por aí seja agradável aos olhos de Deus. Claro que não! É preciso bom senso, correta formação da castidade e apreensão do conceito de pudor, além de um bom espelho e "semancol", para que não caiamos no ridículo. E, sinto dizer, acho que 90% ou mais das meninas que frequentam a academia de ginástica, algumas sem querer (outras nem tanto, pois querem mesmo posar de "gostosas" e atrair olhares), acabam vestindo-se desse modo, já dissemos, ridículo...

Sem entrar na idéia de estabelecer listas de pode e não pode, ao estilo gnóstico, podemos, pela análise da situação, entender que o que alguns grupos mais radicais de pregação da modéstia consideram imoral, nada verdade não é, pela própria circunstância do que se quer na academia de ginástica, ainda mais quando, e isso é o IDEAL (mas nem sempre possível), se treina em horário só para mulheres.

A roupa de ginástica é mais “diferenciada”, pois se requer liberdade para executar corretamente o exercício, para aguentar o suor, para não perder sustentação dos seios, para “isolar” os músculos e fazê-los trabalhar melhor, para impedir lesões… Isso deve ser levado em conta na hora de julgarmos, rapidamente, que a peça é imodesta. Deixar de verificar que as circunstâncias fazem variar a aplicação dos princípios é prender-se a um modelo moral que nunca foi o católico.

Pela evidência, todavia, sabemos que, ainda com toda essa aplicação relativa dos princípios absolutos, há coisas que saltam aos olhos que NÃO parecem adequadas: tops altos sem camisa por cima e mostrando a barriga, macaquinhos, calças leggings/bermudas coladas na rua sem nada que tape o bumbum, shorts fora do estritamente necessário, coisas muito "socadas" principalmente quando se está fora de forma e as cores são berrantes, visual “mulher-fruta”, decotes exagerados, estampas muito chamativas, maquiagem excessiva etc.

Algumas são adequadas para certos tipos de exercícios, outras para outros. A adequação de um traje dependerá do tipo de corpo, do tipo de exercício, do local, da temperatura, da presença de homens etc. Por vezes, uma legging cobrindo o bumbum com um moleton amarrado à cintura, ou, se for longo, vestido mesmo, ou uma camiseta mais larga, e até mesmo um short por cima da calça. Ou calças mais folgadas, a depender do exercício e do clima, ou até justas que não sejam leggings. Ou mesmo legging sem cobrir totalmente, se for uma cor mais neutra e se chame a atenção para cima e não se tenha essa área avantajada (todavia, é perigoso e não convém arriscar).

Que não se mostre a barriguinha nem a totalidade do bumbum, na presença de homens, nem se delineie por demais as coxas se forem bem torneadas.

Algumas sugestões nossas nas fotos abaixo. Claro, devem ser analisadas as condições de cultura, tipo de corpo, qual a atividade, e fazer as necessárias adaptações.











Também de várias blogueiras que eu sigo. Algumas delas são blogueiras de "fashion and faith": mórmons, protestantes e católicas, preocupadas, pois, com a modéstia nas vestimentas.

Começo pela Grace Wainwright, do A Southern Drawl.

Cara van Brocklin, do Cara Loren:

Emily Jackson, do The Ivory Lane:



Rachel Parcell, do Pink Peonies:


Kimberly Smith, do Penny Pincher Fashion:

E agora as minhas:


2 comentários:

  1. Muito bom esse post! Faço atividade física e sempre tive dúvida se estava me vestindo com pudor, já que essas roupas são mais apertadas mesmo. Mas com esta leitura, notei que estou no caminho certo. Obrigada pelas dicas! Adoro o teu blog.

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  2. Que bom que gostaste, Luciane. É muito bom te ver por aqui. É ótimo saber que o bom Deus tem querido se usar de mim para ajudar todas vocês! Mantenham-se no reto caminho.

    Eu fiz musculação um tempo, mas realmente não gosto. O que amo fazer é pilates, que anda meio parado, caminhar com meu marido, e o ballet - voltei a ser bailarina mês passado.

    Um beijão!

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