De vermelho

sexta-feira, maio 01, 2015

Meu vermelho não é e nunca foi petista. Além de ser uma cor que eu considero muito elegante e sempre estar associada à nobreza, antes mesmo de ser sequestrada pela esquerda, o rubro é uma das cores do meu Estado, o Rio Grande do Sul, que sempre sangrou pela pátria, e continuará a fazê-lo quando for necessário.

Esse foi o look que usei um sábado desses para ir para a estância. Uma calça jeans cropped com uma lavagem mais escurinha, e o cintinho vermelho com a camisa para dentro da calça, completaram o look. Eu, particularmente, gosto bastante de usar camisa para dentro dando destaque ao cinto, e essa combinação de camisa vermelha (vejam que os punhos são bem vermelhos quando dobrados) com cinto da mesma cor eu adorei. Tanto que a bolsa escolhida foi... vermelha também. A monocromia foi quebrada pelo denim, mas o destaque permaneceu de modo muito forte sem parecer uniforme.













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8 comentários

  1. Juro que eu queria entender a diferença da sua modéstia com as roupas do mundo. Sofro muito querendo entender

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  2. Raiane, obrigada pela sinceridade.

    Não existe MINHA modéstia. Existe modéstia. Ponto. Modéstia é uma atitude que se manifesta TAMBÉM no MODO (a origem de moda, modéstia e MODO é a mesma) de se vestir, não necessariamente nas peças em si mesmas.

    Veja mais aqui que poderás entender:

    http://www.blogfemina.com/2014/10/9-sinais-de-que-sua-concepcao-de.html

    E aqui:

    http://www.blogfemina.com/2014/05/pode-mulher-crista-usar-calcas.html

    Espero que ajude.

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  3. Continuando, Raiane, mais alguns apontamentos.

    É evidente que a mulher católica que vive a modéstia, que acredita na virtude do pudor, não andará conforme modas mundanas, não usará decotes ousados, roupas coladíssimas ao corpo sem a necessária proteção, nem peças curtas demais. Todavia, o “ar” da roupa de uma mulher católica, não é diferente da sociedade em que vive. Ela não adota um uniforme de uma comunidade separada - exceto se realmente for, como o caso das religiosas. Pensar em leigas, solteiras ou casadas, que destoam completamente, em suas vestimentas, do mundo em que estão inseridas, parece-me a perfeita realização do que alguém certa vez declarou ser uma espécie de “amishização da fé católica”.

    Em linhas gerais, a roupa da cristã piedosa e da mulher que não se preocupa com o pudor não diferem nem devem diferir, pois a roupa é um dado da cultura e ambas estão inseridas no mesmo ambiente. Notem, todavia, que falo “em linhas gerais”, ou seja, que ambas, modesta e imodesta, usarão, basicamente, as mesmas coisas, pois é isso que, habitualmente, é o comum em sua época e lugar: tal tecido da moda, determinado corte que é a tendência, calças, saias, vestidos, tipos de adereços ou de maquiagens etc. Ressalto novamente que falo "em linhas gerais", de sorte que, nos detalhes, se verá claramente que a mulher piedosa veste-se de modo recatado. Mas é uma peça recatada - ou um uso recatado de uma peça neutra -, que deriva do mesmo gênero de roupa que todas usam em sua ambiente sócio-cultural. Não é algo saído da ficção, ou de outro planeta, ou de uma época que já passou.

    Vestir-se exatamente como em um determinado período histórico, ou local, que não o seu, se não for uma fantasia, soa anacrônico, e chama a atenção de modo excessivo para si mesma. Alguém que saia nas ruas exatamente como se estivesse na Era Vitoriana poderia estar coberta do tornozelo ao pescoço, porém não seria modesta.

    Se eu apareço em uma festa de família ou entre amigos, estarei com saia ou calça tanto quanto outras estarão, e isso não me fará destoar de modo a chamar tanto a atenção para mim. Não provocarei surpresa com um figurino absolutamente distinto do que é visto como normal. Claro, isso não é desculpa para usar minissaias, calças "socadas", blusinhas mostrando os seios etc. Recordo que falei "em linhas gerais". A roupa que usarei é a mesma, no macro, que as demais, todavia se diferenciará pelo micro, pelo detalhe. Se uma veste uma calça "socada", estarei com uma calça decente. Se outra veste uma saia curtíssima, estarei com uma saia que não revele o que não deve ser revelado. Mas ambas estarão de calças ou de saias.

    Alguns poderão objetar que só o fato de andar modestamente, ainda que em linhas gerais com o mesmo vestuário das demais mulheres, já me faria chamar a atenção. Sim, faria, porém não de modo exagerado. Uma moça, ainda que com roupas bem modestas, mas sem maquiagem que lhe dê um “brilho”, vestindo peças cafonas, desconexas com a tendência atual, combinando pouco, parecendo uma "maria-mijona" ou membro de alguma seita, atrai olhares para si por causa de seu aspecto, e isso não é modesto, como falei. Já outra que está também com roupas bem modestas, mas no geral não destoa das demais, atrai olhares para si apenas pelo detalhe. É como se aqueles que a notassem, percebessem algo de diferente e se encantassem com isso, ao contrário de ter repulsa. Olhariam para essa segunda mulher modesta - a que também é elegante - e veriam que ela não precisa adotar o visual de uma seita qualquer para respeitar o pudor, veriam que ela somente está recatada, discreta, mas dialogando com a cultura em que vive, e não parecendo uma personagem de romance ou uma militante de qualquer tipo de utopia. Ao agradar os demais, se há reta intenção, agrada-se a Deus, e se celebra a verdade pela via da beleza, a via da pulcritude, tão cara à espiritualidade católica.

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  4. Percebem que caminho tendencioso estaremos seguindo? Onde estará o respeito as individualidades de cada um? Há o cinza, amigas. E onde a Igreja não legisla, cabe a nós discernirmos o que é correto, bem como o que cabe para cada ocasião.

    Na S. Th., I-II, q. 7, Santo Tomás trata de esclarecer que as circunstâncias dos atos humanos são também fundamentos da moral. A moralidade é absoluta, mas a aplicação de seus princípios leva em conta aspectos circunstanciais. Isso se aplica, como visto, às roupas. Os costumes são também fontes da moralidade dos atos, na medida em que fundam o circunstancial, que é um dos tripés dos atos humanos.

    Aliás, Santo Agostinho, na Carta 54, diz não poder condenar quem comunga todos os dias e quem se abstém disso e, depois, dá uma longa explicação de como os costumes mudam de lugar para lugar. Continua que, exceto por uma ordem explícita do Papa, não há razão para violar as liberdades dos diferentes povos. Se é costume generalizado, e aceito pela maioria dos bons cristãos, honrados, que buscam a santidade, que comungam com os ensinamentos da Igreja, que a mulher use calça, então esse uso é permitido. Não se trata de democracia para escolher o que é certo ou errado, mas saber que as roupas dependem dos costumes e, associando o que diz Santo Tomás e Santo Agostinho, ele é fonte da moralidade. Os costumes atuais dos cristãos e suas intenções e sensibilidades são elementos que podem mudar a apreciação moral.

    Mais cristalino ainda é o discurso do já tão citado neste livro, o Papa Pio XII, desta vez se dirigindo às meninas: “O movimento da moda não tem em si nada de mau: brota espontaneamente da sociabilidade humana, segundo o impulso que inclina a encontrar-se em harmonia com os próprios semelhantes e com a prática usada pelas pessoas no meio em que se vive. Deus não pede que se viva fora do tempo, descurando as exigências da moda até tornar-se ridículo, vestindo ao oposto dos gostos e dos usos comuns contemporâneos, sem se preocupar jamais com o que lhes agrada. Mesmo seguindo a moda, a virtude está no meio. Aquilo que Deus pede é recordar sempre que a moda não é, nem pode ser a regra suprema da conduta; que acima da moda e de suas exigências existem leis mais altas e imperiosas, princípios superiores e imutáveis, que em nenhum caso podem ser sacrificados ao talante do prazer ou do capricho, e diante dos quais o ídolo da moda deve saber inclinar a sua fugaz onipotência.” (Pio XII. às Delegações Juventude Feminina de Ação Católica, 22 de maio de 1941)

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  5. Essa relativização da moda e sua interpretação da virtude do pudor no vestir de acordo com os costumes gerais, pode ter seu exemplo na comparação entre a iconografia – que é um locus theologici – que representa Cristo com os cabelos compridos e a advertência bíblica, da lavra de São Paulo Apóstolo, de que os homens não o deveriam portar. Não é uma contradição entre o Mestre e o discípulo, mas a constatação de que diferentes costumes no trajar geram regras diferentes. São Paulo falava a um público no qual os cabelos compridos masculinos soariam imodestos. É um indício claro de que há, nesse terreno, coisas absolutas e relativas. Também o Concílio de Jerusalém proibindo carne sufocada para os pagãos – ou S. Paulo proibindo de comer carne a alguns, enquanto permitia a outros –, podem ajudar a iluminar essas situações onde as circunstâncias jogam papel relevante no juízo moral.

    “Esta é uma das questões particulares [a roupa] nas quais o problema do pudor ou do impudor aparece com mais frequência. Seria difícil discutir agora as nuanças da moda feminina ou masculina enquanto se relacionam com o problema mencionado, o problema do pudor e do impudor certamente se relaciona com a questão da moda, ainda que talvez não da maneira que em geral se supõe... Além disso é inevitável que a roupa destaque o valor do sexo, mas não há razão para que contradiga o pudor. Não há nada de impudico no vestir a não ser aquilo que, ao destacar o sexo, contribui claramente para diminuir o valor essencial da pessoa, provoca inevitavelmente uma reação a respeito da pessoa como se ela fosse só um ‘objeto possível de uso’, por causa do seu sexo, e impede a reação a respeito da pessoa enquanto 'um possível objeto de amor', por causa do seu valor como pessoa.” (João Paulo II. Amor e Responsabilidade)

    A absolutização das vestes, como se mulheres sempre devessem usar saias e vestidos, lhes sendo vetadas as calças, ignora as diferenças regionais e temporais. Nem sempre a mulher - e mulher cristã, mulher modesta, mulher de bons costumes - vestiu a mesma coisa. A modéstia não muda. A aplicação de suas regras às roupas muda, e muda porque mudam as roupas, mudam os costumes, mudam os cortes, mudam até os corpos. Dogmatizar a indumentária tem raízes não só no gnosticismo, mas em um etnocentrismo. A Carta a Diogneto, um dos primeiros documentos do cristianismo, dizia que os cristãos não se distinguiam dos pagãos por suas roupas.

    As túnicas femininas do tempo de Cristo, aliás, mesmo as usadas por judias piedosas e pelas primeiras cristãs, deixavam à mostra o braço inteiro e o pescoço. Não se encaixariam em algumas “regras” que algumas radicais da modéstia pregam.

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  6. Aliás, essas mesmas “regras” das radicais falam, por exemplo, em não se usar vestidos no joelho, e sim um ou dois dedos abaixo dele. Só que essa mesma regra seria considerada imodesta no séc. XIX: apenas vestidos nos tornozelos eram permitidos. Ou seja, as radicais da modéstia atuais, tão ávidas a condenar as cristãs que prezam a modéstia mas usam calças e saias um pouco acima dos joelhos, estariam condenadas pela aplicação anterior da mesma modéstia.

    O fato é que as radicais, ao misturar a modéstia absoluta com a aplicação relativa da mesma (relativa porque se relaciona com o tempo, com o ambiente, com o corpo, enfim, com os costumes, que, como vimos, é fonte da moralidade do comportamento humano), prendem-se ao que os anos 50 consideravam modesto. Isso parece ter origem na idolatria dessa "época de ouro" dos americanos, no pós-guerra. Os Estados Unidos formam o caldo de cultura ideal para o pensamento sectário: puritanismo do modo de pensar - dado que foi fundado por calvinistas puritanos - e glorificação do pós-guerra. Somemos esses dois aspectos e temos as listas de "pode e não pode", oriundas de setores brasileiros que beberam em algumas fontes católicas mais tradicionais norte-americanas.

    Quanto a comparar nossas roupas às que a Santíssima Virgem usaria, teríamos que ter certo cuidado. Primeiro porque ela era consagrada e como tal deve-se diferenciar das demais mulheres, segundo que, basta olharmos as mulheres que eram santas e que se trajavam de forma comum à sua época. E o que nunca faltou à Nossa Amada Mãe foi bom senso e capacidade de se adaptar à realidade que se encontrava, sem nunca perder a caridade e a noção do correto. Depois, é interessante que coloquemos bem claro, em nossa meditação, que temos que imitar, nos santos, a sua virtude, mas não cada comportamento exatamente igual. Do contrário, estaríamos deixando de imitar Nossa Senhora se tivermos relações com nossos maridos, por exemplo.

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  7. C.S. Lewis, o autor das “Crônicas de Nárnia”, que era anglicano, mas não se converteu apenas porque morreu antes, escreveu e não posso deixar de considerar suas palavras, ele que era amigo de Tolkien, e tinha uma grande admiração pelo Papa, uma profunda devoção ao Santíssimo Sacramento, às formas rituais católicas e à Santíssima Virgem, e mesmo raciocinava de um modo bastante tomista:

    “Consideremos agora a moralidade cristã no que diz respeito à questão do sexo, ou seja, o que os cristãos chamam de virtude da castidade. Não se deve confundir a regra cristã da castidade com a regra social da “modéstia”, no sentido de pudor ou decência. A regra social do pudor estipula quais partes do corpo podem ser mostradas e quais assuntos podem ser abordados, e de que forma, de acordo com os costumes de determinado círculo social. Logo, enquanto a regra da castidade é a mesma para todos os cristãos em todas as épocas, a regra do pudor muda. Um moça das ilhas do Pacífico, praticamente nua, e uma dama vitoriana completamente coberta, podem ambas ser igualmente “modestas”, pudicas e descentes de acordo com o padrão da sociedade em que vivem. Ambas, pelo que suas roupas nos dizem, podem ser igualmente castas (ou igualmente devassas). Parte do vocabulário que uma mulher casta usava nos tempos de Shakespeare só seria usado no século XIX por uma mulher completamente desinibida.”

    Os profetas, os doutores da Igreja, os Padres, e todos os santos sempre aconselharam os fiéis a se vestirem com pudor e modéstia. O modo como nos vestimos é um reflexo de nossa vida íntima. O exterior reflete o exterior, diz o adágio. O modo como nos vestimos, nossa aparência, o tipo de vestuário que utilizamos, são como mensagens que enviamos aos outros, dando informações preciosas a nosso respeito: nossas intenções, nossas particularidades, nossas crenças mais profundas, nosso estilo de vida. O recato no vestir é, pois, uma mensagem poderosa que mandamos a todos: somos sérios, consideramos importante a castidade, queremos agradar a Deus, e consideramos que o corpo não deve ficar tão exposto. Não deixa, pois, o jeito de nos vestirmos, de ser um verdadeiro apostolado silencioso, influenciando a todos, e mostrando princípios importantíssimos que informam o ser humano. E se esse recato vai acompanhado da beleza das vestes e da elegância, isso é mais benéfico ainda, pois estamos deixando bem claro que se pode ser modesto, ter pudor, sem parecer uma “Maria-mijona”, pode-se ter recado e amor pela castidade exterior, sem que tenhamos um aspecto “apagado”.

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  8. Evidentemente, não há um código católico de vestimenta. E isso nem seria possível, pois a Igreja trabalha com princípios, não com listas de “pode” e “não pode”. As circunstâncias nos fazem aplicar os princípios do pudor aos casos concretos. Claro que não há aqui qualquer relativismo: a moral é absoluta, o pudor é objetivo. Mas a aplicação desse pudor varia conforme a cultura, o tipo de evento, a combinação entre as roupas, o corpo da mulher que o veste, e até mesmo, a “postura” e o temperamento da pessoa.

    Igualmente evidente, todavia, que algumas roupas são, em geral, imodestas. Shorts muito curtos, minissaias, decotes profundos, blusas que não cobrem a barriga, calças justíssimas sem a devida cobertura, transparências indevidas, não são adequadas à mulher recatada. Não há um código, repetimos, nem uma lista. Mas a aplicação dos princípios à realidade concreta nos diz isso. É uma conclusão inevitável: certas roupas podem ser pudicas ou não conforme as circunstâncias, porém outras na maioria das vezes (ou na totalidade) são imodestas. O melhor critério para esse discernimento é a formação da consciência e a diária pergunta, diante do espelho: “Será que agrado a Deus com essa roupa?”

    “O pudor não se pode reduzir, portanto, a centímetros de roupa. Depende de um conjunto de fatores que influem na percepção que os outros têm de nós. Depende das diversas situações e da função do vestuário e depende também dos costumes no modo de vestir.

    Se, numa sociedade em que todas as mulheres andassem com as saias até ao tornozelo, uma se apresentasse com a saia a meio da perna, chamaria a atenção. E a atenção recairia sobre aspectos significativamente sexuais.

    Por outro lado, as mesmas mulheres que andavam com as saias até ao tornozelo, quando chegava a hora de ir trabalhar para a horta, não tinham nenhuma dúvida em recolher as saias, pois a situação assim o exigia, para não estragar a pouca roupa que tinham. E ninguém considerava que aquilo fosse impudico. Se todas as mulheres andam com a saia a meia perna, isso não chamará a atenção, nem provocará uma consideração basicamente sexual do corpo.

    Mas nem tudo é uma questão de costume.

    Há certas leis características da percepção que reclamam a atenção sobre um ou outro aspecto do corpo. Determinados tipos de decotes ou mini-saias, roupas cingidas, etc., não podem deixar de chamar a atenção sobre os aspectos provocativamente sexuais do corpo feminino. E não é questão de mais ou menos roupa. Pode ter mais roupa e menos pudor. Podemos ver isso, nalguns casos, na nossa sociedade.” (GARAI, Mikel Gotzon Santamaría. Saber Amar com o Corpo. Acesso em: 26 mar 2015)

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