quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O machismo sutil

Vivemos em mundo de mulheres-maravilha, onde todas nós podemos tudo e o mundo está aos nossos pés. Somos mulheres que trabalhamos, estudamos, cuidamos da casa e dos filhos e ainda temos que ficar lindas como eternas jovens de vinte anos. Ou então, as mais jovens (e às vezes até mais velhas), somos liberais, donas de nosso corpo, temos o homem que queremos, como e quando quisermos. Será?

Tudo isso é uma casca que somos obrigadas a vestir, mostrando caras felizes e argumentos vazios para agradar a sociedade. Por dentro estamos esgotadas, destruídas, humilhadas, solitárias e infelizes. O problema não foram os direitos adquiridos pela mulher, mas foi o que fizemos com esses direitos e, mais ainda, que tipo de direito reivindicamos.

O direito de ter que ser jovem a vida inteira? O direito de ser igual a um homem? O direito à libertinagem? Ou, pior, o direito de matar quem está dentro de nós, só porque “mandamos” em nosso corpo? Sem contar os outros “direitos” por aí.

Na sociedade renascentista as mulheres passaram a agir como na sociedade romano-helênica e foram daí a pior. A loucura do culto ao corpo é apenas o exemplo mais evidente que qualquer um nota. Entretanto, por trás desse mal, aparecem outros bem piores. "Agradeçamos", então, ao feminismo que nos colocou na mesma condição de um homem. Daí as mulheres-maravilha! Se antes do advento do cristianismo a tentativa era de subjugar e escravizar as mulheres, como seres inferiores ao homem, nos dias hodiernos quem está buscando isso são as próprias mulheres!

O feminismo, ao pretender que as mulheres sejam dignas e respeitadas porque iguais ao homem em tudo, nada mais faz do que ignorar as diferenças entre os dois sexos. Se a mulher é digna quando é igual ao homem, então o homem é o parâmetro. E isso é machismo! Se a mulher só é livre e respeitada porque faz tudo o que faz o homem, então o homem é o ideal a ser alcançado, o exemplo a ser imitado. E isso é machismo! O feminismo, pois, é uma forma sutil de machismo.

Aparecem nos meios de comunicação garotas (ou nem tanto) semi-nuas, quando não totalmente, falando apenas besteiras e propagando uma felicidade que não existe. Como se o corpinho delas fosse, e é, uma arma muito poderosa, sem se dar conta que nenhuma plástica do mundo vai lhe dar um transplante de cérebro. Quando tiverem sessenta e poucos anos, ao invés de estarem rodeadas da família pela qual pelejaram a vida inteira para manter feliz e unida, e com memórias de um passado de ações positivas por uma sociedade melhor e dedicação aos outros, terão apenas recortes de jornais em um apartamento solitário talvez com alguns gatos para lhes fazer companhia. Uma vida fútil, vazia, sem Deus e os valores cristãos que as mesmas sempre tanto combateram.

Tais valores cristãos, frise-se, ao arrepio das feministas, é que possibilitaram que, na Idade Média, por exemplo – época aquela, em que o espírito do Evangelho governou os povos, no dizer de Leão XIII –, garantias jurídicas passassem a existir para a companheira do homem, que lhe é igual em dignidade. A defesa da mulher, o reconhecimento de sua condição ontológica e seus direitos legais são fruto dos valores que as feministas tanto odeiam. Colocaram as mulheres como mulheres, femininas, fortes, rainhas do lar, sim! Mas nem por isso menos que o homem! Só quem tem uma família sabe o quão difícil e o quanto exige de inteligência e jogo de cintura para organizar, administrar, acalmar, saciar, etc.

Ser mulher é acima de tudo ser mãe, ainda que não tenha filhos nem seja casada. É fazer como Nossa Senhora, a melhor mulher que já existiu no mundo, é cuidar do próximo, é estar sempre atenta às necessidades de outro, é ser digna, é se doar, é ser coração, mas deixando que ele seja comandado pelo intelecto e pela sensibilidade que é peculiar à alma feminina.

Somos diferentes, homens e mulheres, nem piores e nem melhores por causa disso.

Cada com seu fundamental papel a desempenhar. Temos que deixar nossos homens serem homens e ensinar assim nossos filhos. Por mais que saibamos trocar uma lâmpada, um pneu, abrir uma tampa de vidro apertada ou brigarmos com a companhia telefônica. Deixemos que os mesmos o façam e os incentivemos para tanto. Mostremos nossas habilidades apenas para nós mesmas, se, e quando necessário. Sigamos o exemplo de Maria, pois se alcançarmos um pedacinho do que ela foi, já seremos mais do que meras mulheres-maravilha.

23 comentários:

Rafael Vitola Brodbeck disse...

Meu amor,

Parabéns pelo blog e pelo riquíssimo conteúdo!

Grande e apaixonado beijo,

Ren disse...

Parabéns pelo texto, Aline.
Algo que me muito me incomoda é a massificação do conceito que temos que disputar o espaço com o homem, palmo a palmo, quando verdadeiramente ambos deveriam compartilhar o mesmo segundo suas diferenças.
Vou acompanhar!!!

Aberlado & Heloísa disse...

Aline

Está Maravilhoso.
Já o colei em meu navegador e será alvo de muitas consultas e pesquisas.
Muito rico em informações,além se ser extremamente bem escrito.
Parabéns. Isso é que é realmente ser fermento e sal.
Beijos da sua amiga

Christiane

Maite disse...

Gostei muito do Blog, está na medida certa.

Estarei acompanhando !!

Pedro Gontijo disse...

Aline, parabéns pelo blog! Eu vejo como o Rafael está tão feliz por decidir dividir a vida contigo.

Gostei muito do antepenúltimo parágrafo, que diz que ser mulher "é cuidar do próximo, é estar sempre atenta às necessidades de outro, é ser digna, é se doar, é ser coração, mas deixando que ele seja comandado pelo intelecto (...)". Cortei de propósito o começo e o final da frase para acentuar o que me chamou a atenção: esses "deveres" da mulher são os deveres de qualquer cristão! Ser cristão é ser mais que o feminismo, o socialismo, a política e as bandeiras, é ser verdadeiro irmão da humanidade. Essa é a "igualdade" que as feministas esquecem porque não vêem os homens como irmãos, mas como inimigo.

Por isso que quando esses "movimentos sociais" insistem em ignorar a gramática e a semântica e escrever "todos e todas", "negros e negras", "companheiros e companheiras", eles acentuam as diferenças ao invés de atenuá-las! A distinção do gênero para mostrar a presença da mulher é separar a humanidade em grupos, não uni-la. Mostram a mulher como um pólo da sociedade e não como parte intrínseca a ela. Isso não é discriminação?

Parabéns novamente! Farei novas visitas =)

Cris disse...

Parabéns pelo texto Aline. Seu blog já está em meus favoritos para que possa acompanhar sempre. Obrigada por compartilhar conosco seu conhecimento e suas opiniões.

Wagner disse...

O seu texto foi autoria da providência divina! Você não faz idéia. :D Parabéns! Te adicionei entre meus favoritos.

palavrasapenas disse...

Parabéns por este texto, sobre o qual concordo com o Wagner: providencial!

E parabéns principalmente pelo blog, que já consta em meus favoritos e constará a partir de hoje no blogroll do Palavras Apenas.

Deus te abençoe!

Paz e Bem!

Pedro Barros disse...

Parebéns pelo texto. Seu blog já está na lista de links dos meus Fé, Ciência e Etc... (http://fecienciaeetc.blogspot.com/) e o Espaço Filosófico (http://espacofilosoficopb.blogspot.com/). Uma boa opção para toda mulher católica.

Andrea disse...

Muito bem! O txto está muito bom mesmo. Detesto feminismo!

Fique com Deus!

gabrielepascoal disse...

Que maravilha de texto!!!!!!!
poste mais.. pois o site já faz parte do "meus favoritos" ehhehehhe

Sintese disse...

Ola!
Gostei do texto e tem a ver com alguns dos temas da Catequeses do Papa JPII "Teologia do Corpo". Você a conhece?

Visite o nosso site!
www.teologiadocorpo.com.br
e entre em contato...
Ate mais!

Julie Maria

Anne Caroline disse...

Adorei seu texto Aline. Gostei muito quando você coloca as feministas como as piores machistas que tem, porque é verdade isso que você escreveu, ainda que eu nunca tivesse me atentado para isso.
Gostaria de te pedir "emprestado" seu texto para colocar no meu blog, com os devidos créditos é claro.
Abraços

Anônimo disse...

ler todo o blog, muito bom

Carol disse...

Que porcaria! Está totalmente enganada sobre o que é ser feminista. Prestou um serviço de desinformação.

Ren disse...

Instale a ferramenta de Desenho, Aline. :))

Alice disse...

"Verdadeiramente eu não sei de que mais me espante, se dos vossos conceitos, se dos vossos aplausos?"

Ren disse...

Alice,

Se não consegue compreender, não critique. Afinal, nada de útil nos acrescenta.

Alice disse...

quem não consegue entender sobre o conceito que estão falando são vcs! senão entende o que é verdadeiramente por que vomitar asneiras!? procura estudar a historia da mulher e pq surgiu o feminismo e principalmente oq é o feminismoo!

Alice disse...

"As diferenças entre homens e mulheres são biológica e anatômica quanto oque se refere ao social e atitudes são algo inventado e criado pelas pessoas." [fica a dica]

Anônimo disse...

Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now keep it up!

Pili disse...

Oi, comecei a ler o seu blog agorinha e esse é o primeiro post que quis comentar.
Eu também me sinto massacrada com a obrigação de ser tudo ao mesmo tempo e dar conta de várias personalidades ao mesmo tempo com excelencia... ter que ser profissional, ter que ser gostosa, ter que ser delicada, bem resolvida, tudo junto...
e por isso quis te dar o toque: o que nos força à essa vida de mulher-maravilha é o machismo.
O feminismo existiu desde o mundo moderno pra cá justamente pra se opor à qualquer forma de violência, abuso ou exploração baseada em pretextos de sexo, gênero, ou sexualidade. O feminismo diz que antes de sermos homens, mulheres E OUTROS, somos gente. Se você também concorda que mulheres são pessoas, com deveres e direitos, (por exemplo, de aprender em escolas e universidades, e escrever blogs na internet) então parabéns. Você é feminista. Aliás, esse foi o primeiro movimento a unir sua luta com outra questões sociais por entender que isso o fortalece ao invés de diminuir sua mensagem (como infelizmente algumas minorias pensam. Inclusive minorias religiosas). Não fosse a dimensão plural e universal do feminismo até hoje nós veríamos diferentes movimentos estanques competindo entre si ao invés de se unindo por uma vida mais humana. O feminismo é que engedrou essa coexistência do pensamento não-sexista com a liberdade religiosa, o pensamento ambientalista, nao-classista, não-xenofóbico, não-racista, não-homofobico... ufa.
Esse estereótipo fajuto de feminista contra qual você está falando, além de ser irreal, foi algo muito intencionalmente criado e veiculado culturalmente e midiaticamente, desde que o movimento se concretizou, até hoje. Que ótimo que você se opõe à ele. Todas nós, feministas, também o negamos. Quer um exmplo? http://www.youtube.com/watch?v=tnJxqRLg9x0

Rafael Vitola Brodbeck disse...

Pili,

Leia:
http://feminaonline.blogspot.com.br/2009/11/quando-ideologia-de-genero-se-opoe.html

Cordialmente,